PROVAS SOBRE O MUNDO ESPIRITUAL !!!

           
 Limita-se o Espiritismo a admitir o mundo invisível como hipótese e como meio de explicações? Não, porquanto seria explicar o desconhecido pelo desconhecido. Ele prova a sua existência por fatos patentes, irrecusáveis, como o microscópio provou a existência do mundo dos infinitamente pequenos. Tendo, pois, demonstrado que o mundo invisível nos envolve, que esse mundo é essencialmente inteligente, uma vez que se compõe das almas dos homens que hão vivido, concebe-se facilmente que possa representar um papel ativo no mundo visível e produza fenômenos de uma ordem particular. São esses fenômenos que a Ciência chama de maravilhosos, por não os poder explicar pelas leis conhecidas. Sendo tais fenômenos uma lei da Natureza, devem ter-se produzido em todos os tempos. Ora, como repousassem na ação de uma força fora da Humanidade, e como todas as religiões têm por princípio a homenagem prestada a essa força, serviram de base a todos os credos; esta a razão por que todos os relatos antigos, assim como todas as teogonias, são pródigos em alusões e alegorias concernentes às relações do mundo invisível com o visível, inintelegíveis se não se conhecem tais relações. Querer explicá-las sem isto é querer explicar os fenômenos elétricos sem a eletricidade. Esta lei é uma chave que abrirá a maior parte dos santuários misteriosos da Antiguidade. Uma vez reconhecida, os historiadores, os arqueólogos, os filósofos verão desdobrar-se um horizonte completamente novo e a luz se fará sobre os pontos mais obscuros.
            Se esta lei ainda encontra opositores, tem isto de comum com tudo o que é novo; deve-se, além disso, ao espírito materialista que domina nossa época e, em segundo lugar, porque em geral se faz do mundo invisível uma ideia de tal modo falsa que a incredulidade é uma consequência. O Espiritismo não só demonstra a sua existência, mas o apresenta sob um aspecto tão lógico que a dúvida não tem mais razão de ser em quem quer que se dê ao trabalho de estudá-lo conscienciosamente.
            Não pedimos aos cientistas que creiam; como, porém, o Espiritismo é uma filosofia que ocupa vasto espaço no mundo, mesmo que não passasse de um sonho mereceria exame, ainda que fosse para saber o que ele diz. Só lhes pedimos uma coisa: estudá-lo, mas estudá-lo a fundo, para não lhe imputar aquilo que ele não diz. Depois, então, creiam ou não creiam, auxiliados por essa alavanca, tomada como simples hipótese, que tentem resolver os milhares de problemas históricos, arqueológicos, antropológicos, teológicos, psicológicos, morais, sociais, etc., ante os quais têm fracassado, e verão o seu resultado.

Livro: Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos -
Ano V, 1862 (nº 10 – outubro de 1865)
Allan Kardec
FEB - FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
           

Calma

Se você está no ponto de estourar mentalmente, silencie alguns instantes para pensar.
Se o motivo é moléstia no próprio corpo, a intranqüilidade traz o pior.
Se a razão é enfermidade em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante.
Se você sofreu prejuízos materiais, a reclamação é bomba atrasada, lançando caso novo.
Se perdeu alguma afeição, a queixa tornará você uma pessoa menos simpática, junto de outros amigos.
Se deixou alguma oportunidade valiosa para trás, a inquietação é desperdício de tempo.
Se contrariedades aparecem, o ato de esbravejar afastará de você o concurso espontâneo.
Se você praticou um erro, o desespero é porta aberta a faltas maiores.

Se você não atingiu o que desejava, a impaciência fará mais larga a distância entre você e o objetivo a alcançar.

Seja qual for a dificuldade, conserve a calma, trabalhando, porque, em todo problema, a serenidade é o teto da alma, pedindo o serviço por solução.



Autor: André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

UM BOM DIA!!!!

Procure ser alegre!!!
Divida sua alegria, distribuindo sorrisos,para as pessoas que o cercam.
Sorrindo sempre você atrairá saúde e sucesso.
Faça com que os outros sintam-se bem ao seu lado.
Lembre-se: Assumindo a vida com espontaneidade
e alegria, ela se tornará mais leve e os problemas
serão mais facilmente resolvidos.

PAZ!!!!

"Quando você acordar e abrir a janela, olhar o céu e contemplar
o brilho do sol, imagine que seu dia terá um brilho bem maior, porque assim você o deseja... assim o quer...
E mesmo que não consiga ver esse brilho com os olhos,
o sentirá refletindo na sua alma. Pois ele nada mais é que a sua felicidade ou a sua vontade de lutar para encontrá-la"


TUDO É POSSÍVEL SE TIVERMOS AMOR

A DÚVIDA, AS DECISÕES, AS AÇÕES, OS SONHOS, O ENTUSIASMO E A VIDA SÃO MANEIRAS DE REZAR.


-SENHOR, PROTEGEI AS NOSSAS DÚVIDAS, PORQUE A DÚVIDA É UMA MANEIRA DE REZAR.
É ELA QUE NOS FAZ CRESCER, PORQUE NOS OBRIGA A OLHAR SEM MEDO PARA AS MUITAS RESPOSTAS DE UMA MESMA PERGUNTA.
E PARA QUE ISSSO SEJA POSSÍVEL,


-SENHOR, PROTEGEI AS NOSSAS DECISÕES, PORQUE A DECISÃO É UMA MANEIRA DE REZAR.
DAI-NOS CORAGEM PARA, DEPOIS DA DÚVIDA, SERMOS CAPAZES DE ESCOLHER ENTRE UM CAMINHO E OUTRO. QUE O NOSSO SIM SEJA SEMPRE UM SIM, E O NOSSO NÃO SEJA SEMPRE UM NÃO. QUE UMA VEZ ESCOLHIDO O CAMINHO, JAMAIS OLHEMOS PARA TRÁS, NEM DEIXEMOS QUE NOSSA ALMA SEJA ROÍDA PELO REMORSO. E PARA QUE ISSO SEJA POSSÍVEL,


-SENHOR, PROTEGEI AS NOSSAS AÇÕES, PORQUE AS AÇÕES É UMA MANEIRA DE REZAR
FAZEI COM QUE O PÃO NOSSO DE CADA DIA SEJA FRUTO DO MELHOR QUE LEVAMOS DENTRO DE NÓS MESMOS. QUE POSSAMOS, ATRÁVES DO TRABALHO E DA AÇÃO, COMPARTILHAR UM POUCO DO AMOR QUE RECEBEMOS. E PARA QUE ISTO SEJA POSSÍVEL,


-SENHOR, PROTEJA OS NOSSOS SONHOS, PORQUE O SONHO É UMA MANEIRA DE REZAR.FAZEI COM QUE, INDEPENDENTEMENTE DE NOSSA IDADE OU DE NOSSA CIRCUNSTÂNCIA, SEJAMOS CAPAZES DE MANTER ACESA NO CORAÇÃO A CHAMASAGRADA DA ESPERANÇA E DA PERSEVERANÇA. E PARA QUE ISSO SEJA POSSÍVEL,


-SENHOR, DAI-NOS SEMPRE ENTUSIASMO, PORQUE O ENTUSIASMO É UMA MANEIRA DE REZAR. É ELE QUE NOS LIGA AOS CÉUS E A TERRA, AOS HOMENS E ÀS CRIANÇAS, E NOS DIZ QUE O DESEJO É IMPORTANTE E MERECE O NOSSO ESFORÇO. É ELE QUE NOS AFIRMA QUE TUDO É POSSÍVEL, DESDE QUE ESTEJAMOS TOTALMENTE COMPROMETIDOS COMO QUE FAZEMOS. E PARA QUE ISSO SEJA POSSÍVEL,


-SENHOR, PROTEGEI-NOS, PORQUE A VIDA É A ÚNICA MANEIRA QUE TEMOSPARA MANIFESTAR O TEU MILAGRE. QUE A TERRA CONTINUE TRANSFORMANDO A SEMENTE EM TRIGO, QUE NÓS CONTINUEMOS TRANSMUTANDO O TRIGO EM PÃO. E ISTO SÓ É POSSÍVEL SE TIVERMOS AMOR.


PORTANTO,, NUNCA NOS DEIXE EM SOLIDÃO. DAI-NOS SEMPRE A TUA COMPANHIA E A COMPANHIA DE HOMENS E MULHERES QUE TEM DÚVIDAS, AGEM, SONHAM SE ENTUSIASMAM E VIVEM COMO SE CADA DIA FOSSE TOTALMENTE DEDICADO A TUA GLÓRIA.
AMÉM.
Paulo Coelho

CREIA...

UM JOVEM QUE TRABALHAVA NO EXÉRCITO ERA HUMILHADO POR SER CRISTÃO
UM DIA SEU SUPERIOR QUERENDO HUMILHÁ-LO NA FRENTE DO PELOTÃO CHAMOU O SOLDADO E DISSE
JOVEM VENHA AQUI, PEGUE ESTA CHAVE VÁ ATÉ AQUELE JIPE E ESTACIONE ALI NA FRENTE
O JOVEM DISSE SENHOR NÃO SEI DIRIGIR
ENTÃO DISSE O SUPERIOR
PEÇA AJUDA A SEU DEUS MOSTRE QUE ELE EXISTE
O SOLDADO PEGOU A CHAVE E COMEÇOU A ORAR
DEPOIS O SOLDADO LIGOU O VEÍCULO MANOBROU E ESTACIONOU PERFEITAMENTE
AO SAIR DO JIPE O SOLDADO VIU TODOS DE JOELHO CHORANDO E DIZENDO
NÓS QUEREMOS TEU DEUS
O JOVEM SOLDADO ESPANTADO PERGUNTOU O QUE ESTAVA ACONTECENDO
O SUPERIOR CHORANDO ABRIU O CAPO DO JIPE E MOSTROU PARA O JOVEM QUE O CARRO ESTAVA SEM MOTOR
O JOVEM ENTÃO DISSE, TÁ VENDO SENHOR ESSE É O DEUS QUE EU SIRVO
O DEUS DO IMPOSSIVEL,O DEUS QUE TRAZ A EXISTÊNCIA AQUILO Q NÃO EXISTE......
REPASSE ESTA MSG PARA O MAIOR NÚMERO DE AMIGOS POSSÍVEL!!!!
MOSTRE PARA AS PESSOAS O QUE O SEU DEUS FAZ.....



            A casa de André [irmão de Chico Xavier] era simples. Entramos cheios daquela alegria cristã dos primeiros tempos do Cristianismo Nascente.Entre os discípulos de Jesus havia um André.
            Os tijolos do piso impressionaram-nos a mente. Tudo era tão puro que havia ali a beleza do princípio. O irreal misturava-se ao real. Para nós, o Chico era um apóstolo. A presença da Espiritualidade Superior à sua volta nos envolvia. Médium como ele, sentiamos as vibrações dos amigos espirituais. Vidente, víamos as criaturas que o rodeavam e nos rodeavam. Tudo parecia de alguma forma fantástico e estranho. Tudo ali era rústico, pobre, simples. Se a simplicidade nos conduz ao Reino do Espírito, é evidente que estávamos no Reino do Espírito. Tudo se apresentava como num conto de fadas. Jesus estava conosco e nós o sentíamos em toda a parte.
            — Onde houver duas ou três pessoas reunidas em meu nome, Eu aí estarei.         Essa afirmativa do Senhor ressoava-nos ainda na acústica do tempo e da alma.
            Tomamos café, se não me engano, naquelas canecas bem mineiras, de lata. O café fica sempre quente e péla a boca da gente. O lugar era um tanto escuro e não me lembro agora se havia luz elétrica ou lampião mas, na retina do tempo, parece-nos que a sala era bem escura. Chico sentou-se à pequena mesa conosco e falamos do Flores do Bem, livro recebido por nós e assinado por Charles. Chico dissera que Charles era Charles Baudelaire e que as Flores do Mal se transformariam nas Flores do Bem.
            Ingenuamente, cheio daquela ingenuidade própria da idade e também própria dos que se aproximando do Reino do Espírito se deslumbram com os coisas de Deus e acreditam que todos os que lidam com a Doutrina são bons e são puros, propusemos ao Chico que o livro fosse enviado à Federação Espírita Brasileira para publicação. Supunhamos que tudo era fácil naquele campo. Considerávamos como ainda consideramos o livro bom, e isto pelas chaves de Sabedoria que revela, e assim admitiamos que não seria difícil a publicação. Ismael Gomes Braga que o lera se empolgara e nos orientara como devia ser publicado: tamanho pequeno, de bolso, para ser lido em qualquer lugar, livro melhor do que a melhor sabedoria oriental - essa a opinião de Ismael. Chico demonstrara por sua vez simpatia pela obra. Tudo parecia tão simples.
            Chico, porém, nos respondeu com carinho:
            — Ranieri, precisamos situar o nosso Charles no mundo dos livros. Acho, no entanto, melhor encaminhá-lo à LAKE. O nosso Lino publicará. A LAKE é uma editora boa que vem publicando boas obras atualmente.
            Sentimos, ao ouvir as palavras do Chico, qualquer coisa de estranho no ar.
            — Por que não podemos mandar para a Federação?
            — Ah, meu filho, você não sabe de nada! Lá o negócio não é tão fácil assim. Olha, quando nós recebemos o livro Emmanuel, enviamos à Federação Espírita Brasileira. Logo depois recebemos uma carta da Federação, dizendo que o livro não prestava e que a Federação não estava disposta a perder dinheiro com o livro. Não iriam publicá-lo. Chocados com o fato, escrevemos-lhe insistindo na publicação, especialmente por ser um livro escrito por Emmanuel, nosso amado Benfeitor, e que mandassem o orçamento do livro que nós pagaríamos a edição. Responderam asperamente que não. Não publicariam, que não podiam perder dinheiro e que nós também não iríamos perder. Nós então nos reunimos em Pedro Leopoldo: nós, o dr. Rômulo e outros companheiros e juntamos dois contos e duzentos mil réis que enviamos, em cheque, para a Federação Espírita Brasileira. Pouco depois, recebemos comunicação que iriam publicar o livro com o nosso dinheiro, fornecido por nós, mas que não se responsabilizariam por nada, nem pelos prejuízos e que não o publicariam sob a égide da Federação, isto é, não viria na capa ou no livro a marca da Federação como Editora e sim, simplesmente, como Distribuidora. Concordamos e não se ouviu falar mais no livro.
            Muito tempo depois recebemos uma carta muito delicada, na qual a Federação dizia:
            “Chico, como é que vamos fazer? O livro Emmanuel já está na terceira edição, temos vinte e tantos contos em caixa e você até agora não nos mandou nenhum documento de doação do livro para a Federação...”
            Diante disso, esclareceu o Chico, escrevi-lhes dizendo que eu enviaria o documento que eles quisessem, por cartório, etc., porque nós estavamos neste mundo não para servir aos homens mas para servir à Causa...
            Chico falou e nós ficamos por um momento meditativos. O silêncio envolveu a todos e eu vi através de pequena fresta o drama que acompanhava o amigo no campo dos livros.
            — Não tem nada, Chico, enviarei à LAKE.
            E o Flores do Bem foi publicado pela Livraria de S. Paulo.
            Tempos depois, tentei a Federação oferecendo o João Vermelho no Mundo dos Espíritos. Conversei com o Wantuil e ele me disse que infelizmente tinha um quarto cheio de livros do Chico encalhados e vinte e dois volumes novos para publicação. Mas que se eu quisesse poderia entrar na fila dos vinte e dois; seria o vinte e três... Embora o assunto interessasse, fui de novo para a LAKE.
*
            Na semi-escuridade da casa de André, que irradiava as vibrações do tempo dos Apóstolos do Cristianismo Nascente, pude entender a luta de um homem que iniciara a sua marcha pela libertação do mundo.
            A lição serve para todos.

Livro:  Recordações de Chico Xavier
           R. A. Ranieri
LAKE - Livraria Allan Kardec Editora




            A casa de André [irmão de Chico Xavier] era simples. Entramos cheios daquela alegria cristã dos primeiros tempos do Cristianismo Nascente.Entre os discípulos de Jesus havia um André.
            Os tijolos do piso impressionaram-nos a mente. Tudo era tão puro que havia ali a beleza do princípio. O irreal misturava-se ao real. Para nós, o Chico era um apóstolo. A presença da Espiritualidade Superior à sua volta nos envolvia. Médium como ele, sentiamos as vibrações dos amigos espirituais. Vidente, víamos as criaturas que o rodeavam e nos rodeavam. Tudo parecia de alguma forma fantástico e estranho. Tudo ali era rústico, pobre, simples. Se a simplicidade nos conduz ao Reino do Espírito, é evidente que estávamos no Reino do Espírito. Tudo se apresentava como num conto de fadas. Jesus estava conosco e nós o sentíamos em toda a parte.
            — Onde houver duas ou três pessoas reunidas em meu nome, Eu aí estarei.         Essa afirmativa do Senhor ressoava-nos ainda na acústica do tempo e da alma.
            Tomamos café, se não me engano, naquelas canecas bem mineiras, de lata. O café fica sempre quente e péla a boca da gente. O lugar era um tanto escuro e não me lembro agora se havia luz elétrica ou lampião mas, na retina do tempo, parece-nos que a sala era bem escura. Chico sentou-se à pequena mesa conosco e falamos do Flores do Bem, livro recebido por nós e assinado por Charles. Chico dissera que Charles era Charles Baudelaire e que as Flores do Mal se transformariam nas Flores do Bem.
            Ingenuamente, cheio daquela ingenuidade própria da idade e também própria dos que se aproximando do Reino do Espírito se deslumbram com os coisas de Deus e acreditam que todos os que lidam com a Doutrina são bons e são puros, propusemos ao Chico que o livro fosse enviado à Federação Espírita Brasileira para publicação. Supunhamos que tudo era fácil naquele campo. Considerávamos como ainda consideramos o livro bom, e isto pelas chaves de Sabedoria que revela, e assim admitiamos que não seria difícil a publicação. Ismael Gomes Braga que o lera se empolgara e nos orientara como devia ser publicado: tamanho pequeno, de bolso, para ser lido em qualquer lugar, livro melhor do que a melhor sabedoria oriental - essa a opinião de Ismael. Chico demonstrara por sua vez simpatia pela obra. Tudo parecia tão simples.
            Chico, porém, nos respondeu com carinho:
            — Ranieri, precisamos situar o nosso Charles no mundo dos livros. Acho, no entanto, melhor encaminhá-lo à LAKE. O nosso Lino publicará. A LAKE é uma editora boa que vem publicando boas obras atualmente.
            Sentimos, ao ouvir as palavras do Chico, qualquer coisa de estranho no ar.
            — Por que não podemos mandar para a Federação?
            — Ah, meu filho, você não sabe de nada! Lá o negócio não é tão fácil assim. Olha, quando nós recebemos o livro Emmanuel, enviamos à Federação Espírita Brasileira. Logo depois recebemos uma carta da Federação, dizendo que o livro não prestava e que a Federação não estava disposta a perder dinheiro com o livro. Não iriam publicá-lo. Chocados com o fato, escrevemos-lhe insistindo na publicação, especialmente por ser um livro escrito por Emmanuel, nosso amado Benfeitor, e que mandassem o orçamento do livro que nós pagaríamos a edição. Responderam asperamente que não. Não publicariam, que não podiam perder dinheiro e que nós também não iríamos perder. Nós então nos reunimos em Pedro Leopoldo: nós, o dr. Rômulo e outros companheiros e juntamos dois contos e duzentos mil réis que enviamos, em cheque, para a Federação Espírita Brasileira. Pouco depois, recebemos comunicação que iriam publicar o livro com o nosso dinheiro, fornecido por nós, mas que não se responsabilizariam por nada, nem pelos prejuízos e que não o publicariam sob a égide da Federação, isto é, não viria na capa ou no livro a marca da Federação como Editora e sim, simplesmente, como Distribuidora. Concordamos e não se ouviu falar mais no livro.
            Muito tempo depois recebemos uma carta muito delicada, na qual a Federação dizia:
            “Chico, como é que vamos fazer? O livro Emmanuel já está na terceira edição, temos vinte e tantos contos em caixa e você até agora não nos mandou nenhum documento de doação do livro para a Federação...”
            Diante disso, esclareceu o Chico, escrevi-lhes dizendo que eu enviaria o documento que eles quisessem, por cartório, etc., porque nós estavamos neste mundo não para servir aos homens mas para servir à Causa...
            Chico falou e nós ficamos por um momento meditativos. O silêncio envolveu a todos e eu vi através de pequena fresta o drama que acompanhava o amigo no campo dos livros.
            — Não tem nada, Chico, enviarei à LAKE.
            E o Flores do Bem foi publicado pela Livraria de S. Paulo.
            Tempos depois, tentei a Federação oferecendo o João Vermelho no Mundo dos Espíritos. Conversei com o Wantuil e ele me disse que infelizmente tinha um quarto cheio de livros do Chico encalhados e vinte e dois volumes novos para publicação. Mas que se eu quisesse poderia entrar na fila dos vinte e dois; seria o vinte e três... Embora o assunto interessasse, fui de novo para a LAKE.
*
            Na semi-escuridade da casa de André, que irradiava as vibrações do tempo dos Apóstolos do Cristianismo Nascente, pude entender a luta de um homem que iniciara a sua marcha pela libertação do mundo.
            A lição serve para todos.

Livro:  Recordações de Chico Xavier
           R. A. Ranieri
LAKE - Livraria Allan Kardec Editora