Espera e Confia
Eis a dupla singular:
Escora que nos descansa:
Servir sem desanimar,
Nunca perder a esperança.
Se sofres, serve e confia,
Não te queixes, nem te irrites.
Espera. A bênção de Deus
É proteção sem limites.
Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier. Livro: Cura
Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier
PÉROLAS ESPIRITUAIS DE RAMATÍS
Eis a dupla singular:
Escora que nos descansa:
Servir sem desanimar,
Nunca perder a esperança.
Se sofres, serve e confia,
Não te queixes, nem te irrites.
Espera. A bênção de Deus
É proteção sem limites.
Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier. Livro: Cura
Sorriso
Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.
Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada, que inibe a extensão das trevas.
Com ele, apagarás o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.
Por ele, estenderás a plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retornem à luz.
Em casa, é a benção da paz, na lareira da confiança.
No trabalho, é música silenciosa incentivando a cooperação.
No mundo, é chamamento de simpatia.
Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-á em socorro de tua vida.
Sorri para a nuvem, e ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será conforto do Céu, a fecundar-te os campos do coração.
Não te roga o desesperado solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino. Implora-te um sorriso de amor, que renove as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.
E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão que lhes acalme chagas ocultas.
Não condenes as criaturas que se arrogaram aos precipícios da violência e do crime. Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro do bem.
Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre.
Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade e que em cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus.
Autor: Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.
Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada, que inibe a extensão das trevas.
Com ele, apagarás o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.
Por ele, estenderás a plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retornem à luz.
Em casa, é a benção da paz, na lareira da confiança.
No trabalho, é música silenciosa incentivando a cooperação.
No mundo, é chamamento de simpatia.
Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-á em socorro de tua vida.
Sorri para a nuvem, e ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será conforto do Céu, a fecundar-te os campos do coração.
Não te roga o desesperado solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino. Implora-te um sorriso de amor, que renove as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.
E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão que lhes acalme chagas ocultas.
Não condenes as criaturas que se arrogaram aos precipícios da violência e do crime. Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro do bem.
Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre.
Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade e que em cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus.
Autor: Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Luzes do Entardecer
Conserva contigo os companheiros idosos, com a alegria de quem recebeu da vida o honroso encargo de reter, junto do coração, as luzes remanescentes do próprio grupo familiar.
Reflete, naqueles que te preservaram a existência ainda frágil, nos panos do berço; nos que te equilibraram os passos primeiros; nos que te afagaram os sonhos da meninice e naqueles outros que te auxiliaram a pronunciar o nome de Deus.
Já que atravessaram o caminho de muitos janeiros, pensa no heroísmo silencioso com que te ensinam a valorizar os tesouros do tempo, nas dificuldades que terão vencido para serem quem são, no suor que lhes alterou as linhas da face e nas lágrimas que lhes alvejaram os cabelos...
E quando, porventura, te mostrem azedume ou desencanto, escuta-lhes a palavra com bondade e paciência...
Não estarão, decerto, a ferir-te e sim provavelmente algo murmurando contra dolorosas recordações de ofensas recebidas, que trancam no peito, a fim de não complicarem os dias dos seres que lhes são especialmente queridos!...
Ama e respeita os companheiros idosos! São eles as vigas que te escoram o teto da experiência e as bases de que hoje te levantas para seres quem és...
Auxilia-os, quanto puderes, porquanto é possível que, no dia da existência humana, venhas igualmente a conhecer o brilho e a sombra que assinalam, no mundo, a hora do entardecer.
Conserva contigo os companheiros idosos, com a alegria de quem recebeu da vida o honroso encargo de reter, junto do coração, as luzes remanescentes do próprio grupo familiar.
Reflete, naqueles que te preservaram a existência ainda frágil, nos panos do berço; nos que te equilibraram os passos primeiros; nos que te afagaram os sonhos da meninice e naqueles outros que te auxiliaram a pronunciar o nome de Deus.
Já que atravessaram o caminho de muitos janeiros, pensa no heroísmo silencioso com que te ensinam a valorizar os tesouros do tempo, nas dificuldades que terão vencido para serem quem são, no suor que lhes alterou as linhas da face e nas lágrimas que lhes alvejaram os cabelos...
E quando, porventura, te mostrem azedume ou desencanto, escuta-lhes a palavra com bondade e paciência...
Não estarão, decerto, a ferir-te e sim provavelmente algo murmurando contra dolorosas recordações de ofensas recebidas, que trancam no peito, a fim de não complicarem os dias dos seres que lhes são especialmente queridos!...
Ama e respeita os companheiros idosos! São eles as vigas que te escoram o teto da experiência e as bases de que hoje te levantas para seres quem és...
Auxilia-os, quanto puderes, porquanto é possível que, no dia da existência humana, venhas igualmente a conhecer o brilho e a sombra que assinalam, no mundo, a hora do entardecer.
Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier
PÉROLAS ESPIRITUAIS DE RAMATÍS
"Se o estudante espiritual pretende projetar-se para fora do corpo físico de maneira consciente, deve sempre ter em mente que a arma mais poderosa que possui é a própria vontade, alicerçada, é óbvio, por um profundo conhecimento da mecânica que rege os processos projetivos e por um sentimento elevado por tudo aquilo que encontrar nos planos extrafísicos."
- Viagem Espiritual -
"Todos os homens estão cercados de espíritos que os assistem, tentam, protegem, ajudam ou exploram, quer sejam teosofistas, rosacruzes, iogues, espíritas ou católicos! Os encarnados atraem espíritos de conformidade com suas idéias, paixões ou intenções, pouco importando a sua crença ou religião."
- A Missão do Espiritismo -
"Os mentores espirituais aconselham aos médiuns, modéstia, humildade e constante autocrítica, a fim de não crescerem em sua intimidade as flores ridículas que enfeitam a vaidade humana."
- Mediunismo -
BIBLIOGRAFIA DE RAMATÍS
(Pela mediunidade de Hercílio Maes)
1. Elucidações do Além. Editora do Conhecimento.
2. O Evangelho à Luz do Cosmo. Editora do Conhecimento.
3. Fisiologia da Alma. Editora do Conhecimento.
4. Magia da Redenção. Editora do Conhecimento.
5. Mediunidade de Cura. Editora do Conhecimento.
6. Mediunismo. Editora do Conhecimento.
7. Mensagens do Astral. Editora do Conhecimento.
8. Missão do Espiritismo. Editora do Conhecimento.
9. A Sobrevivência do Espírito. Editora do Conhecimento.
10. O Sublime Peregrino. Editora do Conhecimento.
11. A Vida Além da Sepultura. Editora do Conhecimento.
12. A Vida Humana e o Espírito Imortal. Editora do Conhecimento.
13. A Vida no Planeta Marte. Editora do Conhecimento.
Ramatís
- Por Wagner Borges -
Ramatís é bastante conhecido nos meios espiritualistas brasileiros e dispensa maiores apresentações. É um dos principais artífices da fusão Oriente-Ocidente, aqui no Brasil. Seus livros contam entre os mais vendidos nas livrarias especializadas, com várias reedições de cada volume, e isso já há várias décadas.
Objetivando dar ao leitor maiores informações a respeito de Ramatís (1), vamos reproduzir as informações precisas de Hercílio Maes, principal médium que recebeu as mensagens de Ramatís, na abertura do livro "Mensagem do Astral":
"Ramatís viveu na Indo-China, no século X, e foi instrutor em um dos inumeráveis santuários iniciáticos da Índia. Era de inteligência fulgurante e desencarnou bastante moço. Espírito muito experimentado nas lides reencarnacionistas, já se havia distinguido no século IV, tendo participado do ciclo ariano, nos acontecimentos que inspiraram o famoso poema hindu ‘Ramaiana''.
Foi adepto da tradição de Rama, naquela época, cultuando os ensinamentos do ‘Reino de Osíris', o senhor da Luz, da inteligência e das coisas divinas. Mais tarde, no Espaço, filiou-se definitivamente a um grupo de trabalhadores espirituais, cuja insígnia, em linguagem ocidental, era conhecida sob a pitoresca denominação de ‘Templários das Cadeias do Amor'. Trata-se de um agrupamento quase desconhecido nas colônias invisíveis do Além, junto à região do Ocidente, onde se dedica a trabalhos profundamente ligados à psicologia oriental. Os que lêem as mensagens de Ramatís e estão familiarizados com o simbolismo do Oriente, bem sabem o que representa o nome ‘RAMATYS', ou ‘SWAMI SRI RAMATYS', como era conhecido nos santuários da época. É quase uma ‘chave', uma designação de hierarquia ou dinastia espiritual, que explica o emprego de certas expressões que transcendem às próprias formas objetivas.
Fomos informados de que após significativa assembléia de altas entidades, realizada no Espaço, no século findo (séc. 19), na região do Oriente, procedeu-se a fusão entre duas importantes ‘Fraternidades' que dali operam em favor dos habitantes da Terra.
Trata-se da ‘Fraternidade da Cruz', com certa ação no Ocidente, que divulga os ensinamentos de Jesus, e da ‘Fraternidade do Triângulo', ligada à tradição iniciática e espiritual do Oriente.
Após a memorável fusão dessas duas Fraternidades Brancas, consolidaram-se melhor as características psicológicas e o objetivo de seus trabalhadores espirituais, alterando-se a denominação para ‘Fraternidade da Cruz e do Triângulo'. Seus membros, no Espaço, usam vestes brancas, com cintos e emblemas de cor azul-clara esverdeada. Sobre o peito, trazem suspensa delicada corrente como que confeccionada em fina ourivesaria, na qual ostenta-se um triângulo de suave lilás luminoso, emoldurando uma cruz lirial. É o símbolo que exalça, na figura da cruz alabastrina, a obra sacrificial de Jesus e, na efígie do triângulo, a mística oriental.
Alguns videntes têm confundido Ramatís com seu fiel discípulo do passado, que o acompanha no Espaço, também hindu-chinês, conhecido por Fuh Planuh, e que aparece com o dorso nu, singelo turbante branco em torno da cabeça e, comumente, com os braços cruzados sobre o peito. É também um espírito jovem na figura humana, embora conserve reduzida barba de cor escura, que lhe dá um ar mais sisudo."
* * *
Meu contato com Ramatís iniciou-se no ano de 1981.
Naquela época, com 19 anos, li pela primeira vez um livro seu, o ótimo "Elucidações do Além". Imediatamente, fiquei cativado pelos seus conceitos ecléticos sobre espiritualidade e senti-me plenamente identificado com eles. Sentia dentro de mim uma grande afinidade por aquele espírito e suas idéias. Ao olhar seu rosto (magnificamente desenhado pela médium Dinorah S. Enéias) na capa do livro, senti intuitivamente que, de alguma maneira, eu o conhecia profundamente.
Por essa época, eu freqüentava o grupo espírita "Fraternidade André Luiz" (2) no bairro da Penha, no Rio de Janeiro. Na primeira vez que estive lá, fiquei agradavelmente surpreso, pois havia na câmara de passes do centro uma ilustração ampliada do rosto de
Ramatís, em uma das paredes da sala. Além dela, havia a ampliação das ilustrações do duplo etérico e dos chacras, extraídas também do livro "Elucidações do Além".
Em 17 de dezembro de 1982, vi Ramatís pela primeira vez. A essa altura, eu já era um médium desenvolvido e bem ativo nas sessões de desobsessão. Entretanto, mesmo com a mediunidade e as experiências extracorpóreas a pleno vapor, não tinha bem desenvolvida a clarividência, como a tenho hoje. Divisava os espíritos de maneira difusa e percebia mais pela intuição do que pelas sensações mediúnicas. Porém, nesse dia, consegui ver bem nitidamente o rosto de Ramatís por duas vezes. Era dia de sessão de desobsessão e eu era um dos médiuns de incorporação (psicofonia) do grupo. Perto do fim da sessão, repentinamente surgiu a minha frente uma luz dourada e bem no meio dela o rosto de Ramatís, que olhava-me serenamente. Imediatamente, exteriorizei energia em sua direção, pois podia ser apenas uma forma-pensamento plasmada no ambiente, talvez até mesmo emanada inconscientemente por mim mesmo. No entanto, a figura não se desvaneceu, como era de se esperar de uma forma mental. Pelo contrário, ficou mais nítida e seus olhos começaram a emanar um brilho intenso. Senti-me invadido por uma onda de ternura que liquidou qualquer dúvida. Ele deu um leve sorriso e lentamente foi desaparecendo.
Pouco depois, ele apareceu novamente, dessa feita, ao meu lado direito. Nesse instante, senti um jato de energia me varrer de cima a baixo e vi uma intensa luz dourada emanar de todo meu corpo.
Senti-me como que eletrificado e, ao mesmo tempo, super lúcido. Envolvido por toda aquela energia, quando dei por mim, ele já havia desaparecido.
Momentos depois, como que para me tirar qualquer dúvida, um dos melhores médiuns do grupo incorporou um dos guias espirituais da casa, que, através da psicofonia, informou a todos os presentes que o espírito de Ramatís estivera presente na reunião.
Esse fato veio corroborar a minha certeza, pois eu ainda não tinha falado para ninguém o que havia visto pouco antes.
Com o passar do tempo, fui lendo todos os seus livros e, ocasionalmente, pressentia intuitivamente sua presença ao meu lado, sem contudo vê-lo.
Posteriormente, a partir de 1985, através da ativação do chacra frontal (3), levada a cabo mediante concentração e exercícios energéticos diários, desenvolvi a clarividência e, gradativamente, comecei a divisar vários espíritos que orientavam-me. Dentre eles, o querido Ramatís, que comecei a ver freqüentemente, e que começou a orientar-me na atividade espiritual. A partir de 1987, esse contato espiritual aumentou bastante, pois além de vê-lo pela clarividência, comecei a encontrá-lo diretamente no plano extrafísico, através das minhas viagens fora do corpo.
Nunca me esqueço das duas vezes em que ele me levou projetado fora do corpo em uma excursão extrafísica ao fundo do mar. E nem do mês de agosto de 1987, quando ele e sua turma de discípulos hindus desencarnados projetaram-me para fora do corpo, e, em trinta noites consecutivas de projeção astral consciente, levaram-me em excursões extrafísicas de estudos aos vários níveis do plano extrafísico. Nessas projeções, vi de tudo, desde as sombrias paisagens do umbral espiritual (plano extrafísico atrasado), até as luminosas paisagens do plano extrafísico avançado, já nolimiar do plano mental, onde vi espíritos que eram luz pura.
Ao longo de várias outras experiências, descobri que tenho ligações profundas com o trabalho de Ramatís já há várias vidas; por isso, a afinidade espiritual com ele, agora na presente vida.
Em 1988, surgiu a oportunidade de me transferir do Rio de Janeiro para São Paulo, onde eu poderia expandir melhor meu trabalho com os cursos de experiências fora do corpo e chacras.
Consultei Ramatís a esse respeito e ele respondeu-me o seguinte: "Pouco importa o lugar onde você estiver. O importante é fazer um trabalho espiritualista sadio e honesto, visando o esclarecimento espiritual da humanidade. Seu trabalho é difundir os conhecimentos espirituais pelo orbe terráqueo. Por isso, não seja somente um técnico em projeção da consciência (4), que é a área que você mais aprecia. Estude de tudo e mantenha sempre a consciência aberta para todas as filosofias espiritualistas. Entre nas universidades, mas não se esqueça do terreiro de umbanda, do centro espírita, do templo budista, da loja maçônica, da loja rosacruz, do grupo teosófico, da academia de Ioga e dos grupos espiritualistas em geral.
Mantenha-se à margem de qualquer injunção sectarista em seu trabalho e procure adaptar seus conhecimentos das saídas do corpo ao conhecimento tradicional do Espiritualismo como um todo.
Exponha os conhecimentos de maneira simples, clara e objetiva, para que todos possam entender. Você será criticado por isso, mas não ligue. A cada crítica, dê como resposta TRABALHO, TRABALHO, TRABALHO..."
* * *
Achei melhor dar todos esses detalhes sobre o meu envolvimento com Ramatís para que o leitor possa entender melhor o contexto deste livro como um todo.
Paz e Luz!
(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual - I" - Wagner Borges - Editora Zennex - 1993.)
- Notas:
1. Ramatís me disse, certa vez, que o livro "Elucidações do Além" é a sua melhor obra, filtrada mediunicamente por Hercílio Maes. Ver bibliografia.
2. O espírito André Luiz é muito conhecido nos meios espíritas. Inclusive, muita gente pensa que ele é o Dr. Oswaldo Cruz. Mas não é não! Ele é um outro médico, também muito famoso, desencarnado na década de 1930, e que extrafisicamente usa o pseudônimo de André Luiz. Ele foi um dos primeiros espíritos que vi fora do corpo e que muito me ensinou sobre transmissão de energia e assistência espiritual. Para maiores detalhes ver o livro "Nosso Lar" - de Francisco Cândido Xavier - editado pela Federação Espírita Brasileira.
3. Chacra Frontal - é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise - pituitária - e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento. Em sânscrito ele é conhecido como "Ajna", o centro de comando.
Obs.: Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete - que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
4. Projeção da consciência - é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral - Ocultismo.
Projeção astral - Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo - Parapsicologia.
Viagem da alma - Eckancar.
Viagem espiritual - Espiritualismo.
Viagem fora do corpo - Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) - Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos. RESGATANDO O VERDADEIRO EU
Ao longo da vida vamos construindo a nossa identidade a partir da nossa história familiar, dos nossos relacionamentos sociais e dos valores que nos são impostos pela sociedade como um todo. E, na maioria das vezes, ocorre um enorme distanciamento entre o que desejamos e o que o mundo espera de nós.
Para muitas pessoas, não corresponder à expectativa do mundo simboliza um atestado de fracasso, de que falharam, não conseguiram seguir o modelo por este definido como o de um ser vencedor.
Para estas pessoas, aliás, tomar consciência dos próprios desejos é algo bastante difícil, visto que não desenvolveram o hábito de se auto questionar e refletir acerca dos próprios sentimentos. Seguem pela vida de acordo com o que lhes foi ensinado ser o certo e sentem-se totalmente impotentes para questionar tais valores.
Muitas desconhecem as raízes da própria infelicidade ou se recusam a ver a verdade, pois isto exigiria o reconhecimento de que não possuem a coragem necessária para mudar.
A busca da felicidade inclui, para a maioria de nós, a necessidade de reconstruir o próprio Eu, mudando o que for preciso para que nossa vida se adapte aos nossos mais profundos desejos.
A sintonia entre o que nosso coração deseja e o que vivenciamos, é a chave para alcançarmos a serenidade, a paz e o equilíbrio interior com os quais todos sonhamos.
Este processo é geralmente bastante doloroso, pois requer que nos desfaçamos de nossas velhas couraças para que o novo Eu renasça, embora frágil a princípio, como uma criança que sente insegura ao dar os primeiros passos.
Porém, à medida que nos descobrimos senhores da nossa caminhada, não precisando mais fingir algo que não sentimos ou viver o que já não desejamos, uma nova força se apodera de nós, um poder interior que sequer desconfiávamos possuir.
E este poder ninguém poderá retirar de nós, pois uma vez desperto ele jamais desaparecerá.
Diversidade religiosa
e direitos humanos
“Ninguém nasce odiando
outra pessoa pela cor de sua
pele, por sua origem
ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas
precisam aprender;
e, se podem aprender
a odiar, podem ser
ensinadas a amar.”
(Nelson Mandela)
Declaração universal
dos direitos humanos
Art. XVIII
Toda pessoa tem o direito
à liberdade de pensamento,
consciência e religião; este
direito inclui a liberdade de
mudar de religião ou crença
e a liberdade de manifestar
essa religião ou crença, pelo
ensino, pela prática, pelo culto
e pela observância, isolada
ou coletivamente, em público
ou em particular.”
Deus quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
Ou:
Alá quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
Ou então:
Javé quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
Ou ainda:
Olorum quer que seus filhos e filhas
Ou:
Alá quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
Ou então:
Javé quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
Ou ainda:
Olorum quer que seus filhos e filhas
vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
Deus, Alá, Javé, Olorum, O Grande Espírito, O Deus Brahman… São muitos os nomes pelos quais os seres humanos chamam o Criador. Mas a
vontade de DEUS é uma só: que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.
O Supremo Senhor do universo, que tem diferentes nomes em diferentes culturas, ama a todos. Dele emana toda a liberdade de pensamento, religião ou de consciência. Igreja Metodista
Se é esta a vontade do Criador, quem somos nós para desafiá-la? E, no
entanto, nós a desafiamos. Todas as vezes que discriminamos nosso semelhante porque ele pensa diferente, ou faz suas preces de maneira diferente, ou chama o Criador por um nome diferente, nós desafiamos a Sua vontade. Porque Ele deu a seus filhos e filhas a maior de
todas as graças: a capacidade de pensar. De pensar livre. De pensar diferente.
Quem somos nós, então, para desafiar a vontade do Criador? E, no entanto, nós a desafiamos.
Discriminamos, ofendemos, praticamos atos de violência contra nosso semelhante, com a desculpa de que ele é “diferente”. Foi assim no princípio dos tempos. É assim nos dias de hoje, neste milênio que mal começou.
Às vésperas do início deste século XXI, em agosto do ano 2000, atendendo ao chamado da Organização das Nações Unidas (ONU), centenas de representantes das diferentes religiões do planeta não entenderam que a chegada do novo milênio era uma boa
( Em cada indivíduo, em cada povo, em cada cultura, em cada credo, existe algo que é relevante para os demais, por mais diferentes que sejam entre si. Enquanto cada grupo pretender ser o dono exclusivo da verdade, o ideal da fraternidade Universal permanecerá inatingível. Judaísmo) oportunidade, mais uma, para nos amarmos como irmãos e irmãs. E de darmos as mãos pela Paz na Terra.
( Em cada indivíduo, em cada povo, em cada cultura, em cada credo, existe algo que é relevante para os demais, por mais diferentes que sejam entre si. Enquanto cada grupo pretender ser o dono exclusivo da verdade, o ideal da fraternidade Universal permanecerá inatingível. Judaísmo) oportunidade, mais uma, para nos amarmos como irmãos e irmãs. E de darmos as mãos pela Paz na Terra.
Reunidos em Nova York , no Encontro de Cúpula Mundial de Lideres
Religiosos e Espirituais pela Paz Mundial, lideranças evangélicas,
católicas, budistas, judaicas, islâmicas, espíritas, hinduístas, taoístas,
bahá’ís, esotéricas e de tantas outras religiões antigas e modernas
firmaram um compromisso. O Compromisso com a Paz Global.
O documento começa com uma série de considerações, sobre as quais vale a pena refletirmos:
• as religiões têm contribuído para a Paz no mundo, mas também têm sido usadas para criar divisão e alimentar hostilidades; • o nosso mundo está assolado pela violência, guerra e destruição, por vezes perpetradas em
nome da religião; • não haverá Paz verdadeira até que todos os grupos e comunidades reconheçam a diversidade de culturas e religiões da família humana, dentro de um espírito de respeito mútuo e compreensão.
A partir dessas considerações, os líderes religiosos e espirituais do mundo inteiro se comprometeram, entre outras medidas, a: A regra de
ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos toda a
família humana como uma só família. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre
caminho para o abandono, a irreligião. Mahatma Gandhi
• condenar toda violência cometida em nome da religião, buscando remover as raízes da violência; • apelar a todas comunidades e grupos étnicos e nacionais a respeitarem o direito à liberdade religiosa, Procurando a reconciliação, e a se engajarem no perdão e
no auxílio mútuos;
• despertar em todos os indivíduos e comunidades o senso de responsabilidade,
compartilhada entre todos, pelo bem-estar da família humana como um todo, e o
reconhecimento de que todos os seres humanos – independentemente de
religião, raça, sexo e origem étnica – têm o direito à educação, à saúde e à
oportunidade de obter uma subsistência segura e sustentável.
O Compromisso com a Paz Global não é, portanto, apenas de nossos
padres, pastores, rabinos, imãs, monges, mestres, sacerdotes e sacerdotisas, ialorixás e babalorixás, pajés… Ele é de todos nós. O compromisso pela Paz não diz respeito somente aos grandes
conflitos religiosos, às guerras, às matanças em geral, à violência entre católicos e protestantes na Irlanda, entre muçulmanos e judeus no Oriente
Médio, entre hindus e muçulmanos na Caxemira (fronteira da Índia com o Paquistão). O compromisso pela Paz tampouco diz respeito apenas às tragédias de um passado antigo: o sangue derramado por cristãos e
muçulmanos durante as Cruzadas; os negros escravizados, torturados e assassinados no Brasil Colonial, sob a falsa acusação, também feita aos
índios, de que não possuíam alma; os seguidores da Fé Bahá’í trucidados
na antiga Pérsia (atual Irã); os judeus mortos ou convertidos pela força
durante a Inquisição; as mulheres queimadas vivas pelo “crime” de
“bruxaria”, simplesmente por cultuarem as sagradas forças da natureza; os índios, dizimados, escravizados e catequizados, sem que o catequizador entendesse e respeitasse a sua espiritualidade diferente.
A beleza do nosso país reside justamente na diversidade cultural e
religiosa de seu povo. (…) Temos que quebrar as barreiras que nos impedem de dialogar com aqueles e aquelas que pensam e que agem de forma diferente, mas que têm o mesmo objetivo: a valorização da VIDA
Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
A intolerância religiosa não está distante de nós, no tempo e no espaço. Não podemos simplesmente fechar os olhos e lavar as mãos.
A intolerância religiosa não está distante de nós, no tempo e no espaço. Não podemos simplesmente fechar os olhos e lavar as mãos.
Nosso compromisso com a Paz na Terra começa no nosso dia-dia. Dentro de nossa própria casa.
Ao nosso redor. No relacionamento com nosso próximo. Na maneira como respeitamos ou deixamos de respeitar aquele nosso semelhante que, graças à infinita sabedoria do Criador, nasceu com Se eles se inclinam
a Paz, inclina-te tu também a ela e encomenda-te a Deus... Maomé
a capacidade de pensar livremente. E, portanto, de pensar diferente.
Quantos de nós já não sofreram algum tipo de preconceito simplesmente
por professar ou não uma fé? O preconceito sempre existe, ele vive
à espreita, ele se manifesta às vezes pela humilhação, às vezes pela
violência. Contra qualquer um de nós. Por isso, é tão necessário seguirmos todos a regra de ouro da fraternidade, comum a quase todas as
religiões: Não façamos ao outro o que não queremos que seja feito a nós mesmos.
Nosso compromisso com a Paz na Terra diz respeito a seguir ou não
a vontade do Criador, a amar ou não amar nosso próximo. E amar nosso
próximo, ainda que ele pense diferente de nós, significa antes de tudo
respeitá-lo, e trabalhar para que esse nosso próximo tenha garantidos seus direitos à saúde, à educação, ao trabalho, à liberdade de ir e vir e de
pensar. Enfim, nosso compromisso com a Paz na Terra significa zelar para
que todos tenham direito à grande obra do Criador: a VIDA!
Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do bem.
Allan Kardec
- Mediunidade: conceitos e Tipos
"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem, não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. (...) Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. (...)"
"(...) Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ouimpressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, oupsicógrafos."
Mediunidade: Conceitos e Tipos
"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. (...) Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva".É importante considerar que as percepções de influências espirituais são detectadas pelo fenômeno mental da sintonia. Nossa mente, sendo um núcleo de forças inteligentes, gera pensamentos plasmados que, ao se exteriorizarem, entram em comunhão com as faixas de idéias do mesmo teor vibratório, estabelecendo-se, assim, a sintonia mediúnica.
"(...) Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá".
"Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas (...) é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais. (...)"
A mediunidade, pois, não basta por si. Sendo uma faculdade própria da espécie humana, ela existe desde as épocas pregressas, encontrando, porém, na Doutrina, um sentido mais elevado e disciplinado.
Os "discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito ao amigo invisível que o acompanhava constantemente".
Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um dos seus perseguidores desencarnados, a visitá-lo em pleno campo.
Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, (...), aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo.
Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo. (...)"
Com o surgimento do Cristianismo, a mediunidade atinge a sublimação com as manifestações provocadas por Jesus e, mais tarde, pelos apóstolos.
Na idade Média, a mediunidade prossegue vitoriosa nos feitos de Francisco de Assis, nas visões de Lutero ou nos desdobramentos de Tereza D’Ávila, para culminar, nos tempos modernos, nas prodigiosas manifestações de Swedenborg.
O dom mediúnico, por ser uma conquista evolutiva da forma hominal, não deverá se limitar a mera produção dos fenômenos. O médium deve buscar disciplina e iluminação íntimas, a fim de se tornar um instrumento de progresso para felicidade própria e coletiva.
"Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; as dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes; ou psicógrafos".
"Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes ou ruídos, etc. (...)" A mediunidade de efeitos físicos foi muito comum na nascente do espiritismo, e, surgiu com a finalidade maior de chamar a atenção dos encarnados sobre as manifestações do Além. Estão incluídos neste gênero de mediunidade os fenômenos ocorridos em Hydesville (USA) e as mesas girantes e falantes, notadamente na França, no século passado.
Os Espíritos que se prestam a estes tipos de manifestações, ou seja, ruídos, pancadas, deslocamento de objetos, vozes diretas, materializações, transportes, geralmente são de pouca evolução. Na realidade, "(...) São mais levianos do que maus, que se riem dos terrores que causam e das pesquisas inúteis que se empreendem para a descoberta da causa do tumulto. Agarram-se com freqüência a um indivíduo, comprazendo-se em o atormentarem e perseguirem de casa
"Em alguns casos, mais louvável é a intenção a que cedem: procuram chamar a atenção e pôr-se em comunicação com certas pessoas, quer para lhes darem um aviso proveitoso, quer com o fim de lhes pedirem qualquer coisa para si mesmos. (...)"
Médiuns sensitivos, ou impressionáveis: "Chamam-se assim às pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma impressão vaga, por uma espécie de leve roçadura sobre todos os seus membros, sensação que elas não podem explicar. Esta variedade não apresenta caráter bem definido. (...)" A impressionabilidade é mais um caráter geral do que especial, já que todos os médiuns são mais ou menos sensitivos."(...) É a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras (...). Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, (...) não só a natureza, boa ou má, do Espírito que está ao lado, mas até a sua individualidade, como o cego reconhece, (...) a aproximação de tal ou tal pessoa. (...)"
Os médiuns audientes ouvem a voz dos Espíritos. "É, (...) algumas vezes uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo, doutras vezes, é uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, travar conversação com os Espíritos. (...)"
Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons (...). Assim, entretanto, já não é, quando um Espírito mau se lhe agarra, fazendo-lhe ouvir a cada instante as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes".
Os médiuns falantes transmitem a mensagem espírita através da fala. "(...) Neles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. (...)"
"Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo. Raro é que esta faculdade se mostre permanente; quase sempre é efeito de uma crise passageira. (...) A possibilidade de ver em sonho os Espíritos resulta, sem contestação, de uma espécie de mediunidade, mas não constitui, propriamente falando, o que se chama médium vidente. (...)"
Médium sonambúlico é aquele "que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos". "(...) Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com tanta precisão, como os médiuns videntes. Podem confabular com eles e transmitir-nos seus pensamentos. (...)"
Os médiuns curadores são aqueles curadores são aqueles que têm o dom de curar pelo simples toque, olhar ou imposição de mãos, sem o uso de medicação. É, sem dúvida, ação do magnetismo animal, que produz a cura, porém, deve ser classificada como mediunidade porque as pessoas que têm este dom, não agem sozinhas, mas pela intervenção dos Espíritos desencarnados.
Médiuns pneumatógrafos são os médiuns que produzem escrita direta sem tocarem no lápis ou papel. Já os médiuns escreventes ou psicógrafos transmitem a mensagem espiritual, utilizando lápis e papel.
"De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto é por ele que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou de sua inferioridade. (..)"
Bibliografia: Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
A Providência Divina
Providência é, neste mundo, tudo o que se faz dispondo as coisas de modo que se realizem objetivos de ordem e harmonia, visando o bem e a felicidade das criaturas, com a plena satisfação das suas reais necessidades, sejam físicas ou espirituais.
Deus, em relação às suas criaturas, é a própria Providência, na sua mais alta expressão, infinitamente acima de todas as possibilidades humanas. Manifesta-se a Providência Divina em todas as coisas, está iminente no Universo e se exerce através de leis admiráveis e sábias. Tudo foi disposto pelo amor do Pai, soberanamente bom e justo, para o bem de seus filhos, desde as mais elementares providências para a manutenção da vida orgânica e a sua transmissão, garantindo a perpetuação da espécie, até a dispensam da faculdade superior do livre-arbítrio, que dá ao homem o mérito da conquista consciente da felicidade, pela prática voluntária do bem e a livre busca da verdade. Deus tudo fez e faz a bem de suas criaturas. Imprimiu-lhes na consciência as leis morais de trabalho, reprodução, conservação e destruição - esta não abusiva, mas equilibrada; como também a lei de sociedade, obedecendo à qual devem organizar-se em famílias ou em comunidades sociais, em cujo seio vão cumprir deveres, ligados todos àquelas leis morais e ainda às de progresso, igualdade e liberdade, em seu justo e mais elevado sentido e, sobretudo à lei de justiça, amor e caridade. Propicia Deus, assim, ao homem construir a própria felicidade pela livre observância dessas leis e o cumprimento dos correspondentes deveres, e ele só é infeliz quando os descumpre ou com elas se desarmoniza. Faz o homem tudo o que quer, utilizando-se do livre-arbítrio que a Divina Providência lhe oferece para construir ativa e meritoriamente o seu destino; mas é também plenamente responsável pelos atos praticados, devendo arcar com todas as conseqüências deles decorrentes, sejam estas felizes ou infelizes. Parece, então, que se opõem a Providência Divina e o livre-arbítrio humano. Mas não! Deus concede o livre-arbítrio ao homem para que ele acrescente à sua felicidade o mérito da iniciativa e espontaneidade, no trabalho, na busca do próprio bem, na livre escolha do caminho reto para conseguir. A tudo Deus realmente provê, mas não quer inativa a sua criatura, recebendo passivamente a graça divina, e sim que a busque por si mesma, conquistando através de perseverantes esforços a felicidade e o progresso. "(...) Pelo uso do seu livre-arbítrio, a alma fixa o próprio destino, prepara as suas alegrias ou dores. Jamais, porém, no curso de sua marcha - na provação amargurada ou no seio da luta ardente das paixões - , lhe será negado o socorro divino. Nunca deve esmorecer, pois, por mais indigna que se julgue; desde que em si desperta a vontade de voltar ao bom caminho, à estrada sagrada, a Providência dar-lhe-á auxilio e proteção.
A Providência é o espírito superior, é o anjo velando sobre o infortúnio, é o consolador invisível, cujas inspirações reaquecem o coração gelado pelo desespero, cujos fluidos vivificantes sustentam o viajor prostrado pela fadiga; é o farol acesso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a flux sobre suas criaturas. Que solicitude, que previdência nesse amor! (...)"
A alma é criada para a felicidade, mas para poder apreciar essa felicidade, para conhecer-lhe o justo valor, deve conquistá-la por si própria e, para isso, precisa desenvolver as potências encerradas em seu íntimo. Sua liberdade de ação e sua responsabilidade aumentam com a própria elevação, porque, quanto mais se esclarece, mais pode e deve conformar o exercício de suas forças pessoais com as leis que regem o Universo.
A liberdade do ser se exerce, portanto, dentro de um círculo limitado: de um lado, pelas exigências da lei natural, que não pode sofrer alteração alguma e mesmo nenhum desarranjo na ordem do mundo; de outro, por seu próprio passado, cujas conseqüências lhes refluem através dos tempos, até à completa reparação. Em caso algum o exercício da liberdade humana pode obstar à execução dos planos divinos: do contrário, a ordem das coisas seria a cada instante perturbada. Acima de nossas percepções limitadas e variáveis, a ordem imutável do Universo persegue e mantém-se. Quase sempre julgamos um mal aquilo que para nós é o verdadeiro bem. Se a ordem natural das coisas tivesse de amoldar-se aos nossos desejos, que horríveis alterações daí não resultariam?
O primeiro uso que o homem fizesse da liberdade absoluta seria para afastar de si as causas de sofrimento e para se assegurar, desde logo, uma vida de felicidade. Ora, se há males que a inteligência humana tem o dever de conjurar, de destruir - por exemplo, os que são provenientes da condição terrestre - , outros há, inerentes à nossa natureza moral, que somente dor e compressão podem vencer; tais são os vícios. Nestes casos, torna-se a dor uma escola, ou, antes, um remédio indispensável: as provas sofridas não são mais que distribuição eqüitativa da justiça infalível.
Mas a Providência Divina, em relação à humanidade terrestre, ainda se manifestou quando Deus nos confiou a Jesus, como discípulos a um Mestre e como ovelhas a um pastor. Com que solicitude e paciência infinita Ele nos vem, desde então, ensinando e conduzindo, através se séculos e milênios! Não estamos em momento algum desamparados ou à nossa própria sorte abandonados.
Divina Providência, que nos acompanhas através de vidas sucessivas, objetivando o nosso progresso e a nossa ascensão, mesmo quando nos fazes sofrer - pois, se por nossa culpa e o mau exercício do livre-arbítrio, estivermos, de fato sofrendo, por força da Lei, as conseqüências dos nossos desmandos, pela própria Lei seremos devolvidos à paz e à felicidade, beneficiados pela dor redentora, enriquecidos de experiência e de sabedoria - , desde o momento em que te reconhecermos e nos conscientizarmos da tua imanência numa Lei sábia e soberana, que estabelece tudo para o nosso bem, louvamos Àquele de quem emanas, na imensidão da Sua Justiça e do Seu amor!
Bibliografia: Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
Apenas muito imperfeita idéia pode fazer o homem dos atributos da Divindade. Atributos são qualidades que caracterizam o ser e, estão, evidentemente, em relação com a sua íntima natureza. Para que tivéssemos, portanto, idéia completa dos atributos divinos deveríamos conhecer integralmente a sua pura essência. Pode o homem compreender Deus através da razão, bem como do sentimento inato que lhe dá a intuição da sua existência, mas não pode percebê-lo como se percebem as coisas materiais. Arguidos por Allan Kardec a respeito da possibilidade de compreender o homem a natureza íntima de Deus, os Espíritos responderam categoricamente: Não: falta-lhe para isso o sentido.
Não podendo o homem abarcar, na sua carência perceptiva, todos os atributos divinos de absoluta perfeição, pode, entretanto, fazer idéia de alguns, exatamente aqueles de que Deus não pode prescindir. Nesses atributos, que vamos a seguir enumerar, Ele tem de ser perfeito, possuir em seu grau supremo todas as perfeições e ser em todas infinito.
"(...) A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. (...)"
Deus é espírito - o Supremo Espírito! Absolutamente perfeito, não é comparável a quaisquer outros seres, estando infinitamente acima de todos: possuindo sabedoria e poder infinitos, paira, onipotente, sobre todo o Universo, e a comunica, onipotente, o seu influxo e a sua vontade.
01. Deus é eterno, não tem princípio, existe e existiu sempre.
Afigura-se-nos difícil conceber algo que não tenha tido princípio.
Mas isso é em se tratando das criaturas. Deus é o criador de tudo, independente e absoluto. A criatura é finita, Deus é infinito.
Se Deus ‘(...) tivesse tido princípio, teria saído do nada (...)", o que é absurdo, pois do nada não pode sair alguma coisa -, "ou então, também teria sido criado por um ser anterior. (...) Deus já não seria, então o Absoluto. " É assim - diz Kardec - que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. (...)
02. Deus é imutável. Não fosse assim, nenhuma estabilidade teria o Universo, porque estariam sujeitas a variações as leis que o regem. O contrário, porém, é o que se verifica por toda parte e em tudo, a estabilidade e a harmonia.
03. Deus é imaterial. Sua natureza difere de tudo o que conhecemos como matéria. Por isso é absolutamente invisível, intangível, enfim, inacessível a qualquer percepção sensória. (...) De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. (...)"
04. Deus é único. Não há deuses, mas um Deus somente, soberano do Universo, criador absoluto e incriado, infinito e eterno. "(...) se muitos deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo. (...)"
05. Deus é onipotente. Sua vontade é soberana e prevalecem sempre seus desígnios sábios e justos. "(...) Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus. (...)"
06. Deus é soberanamente justo e bom. Em tudo e em toda parte aparecem a bondade e a justiça de Deus na providência com que, através de leis perfeitas, assiste às suas criaturas; desde que estas se submetem aos seus desígnios sábios e não se insurjam contra essas leis reguladoras do ritmo do Universo, tanto quanto do funcionamento da vida do homem. "(...) A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim, nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus."
Entre os atributos acima ressalta a imaterialidade. Por considerar Deus como absolutamente imaterial é que o Espiritismo repele in totum o Panteísmo, doutrina que - em vez de ser um distinto e onipresente no Universo, pelo seu infinito poder de irradiação - considera-o como (...) a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas (...). Segundo a mesma doutrina, "todos os corpos da natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade. (...)
A razão repele tal absurdidade e Kardec argumenta a respeito dela com grande lucidez:
"(...) Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. (...)
A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro é o pintor que o concebeu e executou."
Deus é Espírito, repitamos. Afirmou-o Jesus em seu colóquio com a Samaritana, quando acrescentou também que em Espírito e Verdade é que o devem os homens adorar. Sua essência íntima não pode o homem perceber, porque lhe falta o sentido para isso, conforme a resposta dos Espíritos à argüição de Kardec.
Entretanto o Codificador, mostrando uma alta inspiração que em si vibrava e uma lúcida esperança, redargüiu ainda:
"Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?"
A que os Espíritos, solícitos, responderam:
"Quando não mais tiver o Espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá. (...)"
Então, na própria idéia de Deus, como essência puramente espiritual, e na possibilidade de um dia chegar a vê-lo e compreendê-lo - quando se tornar Espírito puro e perfeito - está delineada, para o homem, toda uma perspectiva de trabalho e de esperança: de degrau em degrau ele progredirá e, evoluindo espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos até conquistar um puro sentido espiritual que lhe permitirá por-se em relação com Deus, vendo-o, ouvindo-o e compreendendo-lhe a Divina Vontade.
Jesus, em cujo testemunho devemos crer, quando ele afirmou que tudo o que fazia, ou dizia, não era de si mesmo, mas refletia a vontade do Pai, Espírito puro e perfeito que é, tem essa incomparável felicidade de auscultar a vontade divina através de delicadíssimo sentido espiritual, que lhe outorgam a sua pureza e a sua perfeição.
BIBLIOGRAFIA
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
01. KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 75.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1983. Perg. 10.
Erradamente considerada como efeito e não causa pelos materialista, estes viam nos fenômenos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema nervoso do homem. Um decantado, mas mal compreendido paralelismo psicofisicológico parecia justificar esse modo de ver, portanto, de fato, lesado o cérebro, ou a medula espinhal, ou os nervos, perturbam-se as funções superiores da consciência, o pensamento lógico, o juízo, o raciocínio, a memória, as sensações e percepções, bem como a afetividade e a motilidade voluntária, instalando-se a demência, os delírios, as alucinações, a amnésia, as incoordenações motoras a disartria, as paralisias, a afasia, a insensibilidade e mesmo o coma. Foram, assim, os homens de ciência, principalmente os fisiologistas e os psicólogos, os médicos e os psiquiatras, levados a um erro fundamental, que foi inverterem os papéis do corpo e da alma, dando primazia àquele que, entretanto, é apenas instrumento desta para suas atividades, enquanto encarnada.
Seria a alma, então, mero efeito do funcionamento do corpo material.
Ainda erradamente foi confundida a alma com o princípio da vida orgânica pelos vitalistas, os quais, dando embora à alma vital o caráter de causa da vida, não explicam o atributo essencial da alma humana, que é a consciência individual, resultante da faculdade cognitiva ou inteligente do ser humano. A inteligência nada tem a ver com a matéria orgânica, nem tampouco com o princípio vital, que ainda é substância material, embora sutil e dinâmica, donde emana a força vital, mas não a inteligência e, muito menos, a razão lógica, a afetividade e o senso moral, todas faculdades superiores, inexistentes nos outros seres vivos e organizados, vegetais ou animais, pelo menos no grau em que esplendem no homem racional e moral.
Finalmente, foi a alma considerada como um ser real e distinto, causa e não efeito de toda atividade psicológica e moral do homem, pelos espiritualistas. Estes compreendem-na como um ser imaterial, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda, erroneamente, criada com o corpo e para esse corpo exclusivamente, ao qual se liga durante a vida física e dele se desprende quando morre, para seguir um destino do qual se fazem idéias muito vagas, mais por tradição do que pelo convencimento da razão ou qualquer espécie de comprovação. "(...) Esta concepção se aproxima um pouco da verdade, porque dá à alma humana a qualidade e o papel, que ela realmente tem, de causa espiritual de toda a vida psicológica e moral do homem, concebendo-a ainda como eterna e imortal, portanto, sobrevivente ao corpo material perecível; mas ela peca por erro fundamental, que só por si tem gravíssimas e danosas conseqüências, especialmente no que tange à vida moral: limita o horizonte da alma humana a uma só existência corporal, condicionando o seu patrimônio intelectual e moral a essa existência única, sem levar em conta o acervo de aquisição do passado dessa alma, uma vez que a não considera preexistente ao corpo atual, vinda de passar por numerosas outras existências em outros tantos corpos, nas quais acumulou variadas experiências pretéritas valiosíssimas. Fixa, em conseqüência, o seu destino - feliz ou desgraçado -, neste mundo e no outro, de uma maneira irrevogável e na mais estrita dependência de condições que são muito pessoais para cada indivíduo, extraordinariamente variáveis e aparentemente fora de qualquer lei de causalidade justa e equânime. (...)
Com Allan Kardec, porém, e a codificação do Espiritismo - que foi a sua obra missionária - raiou no mundo a aurora de uma Nova Era, a era do Espírito, e a conceituação de alma humana recebeu, então, brilhante luz. Sim, depois da demonstração experimental da existência de um mundo espiritual primitivo e dos Espíritos, que são os seus habitantes, pela própria manifestação destes através dos fenômenos mediúnicos, depois que os próprios Espíritos, pois, vieram revelar o que eles verdadeiramente são, qual a natureza, como podem manifestar-se e se comunicar com os homens, qual é também o seu destino e como se realiza esse destino - que é progredir através de sucessivas encarnações em mundos materiais e em corpos carnais - depois desses admiráveis conhecimentos sobre o Espírito, pôde ser dada a verdadeira definição de alma humana. Essa definição, embora extremamente simples, pode considerar-se magistral. Vamos apreciá-las nas próprias palavras do Codificador, citando os textos correspondentes de O Livro dos Espíritos:
"134. Que é a alma?"
"Um Espírito encarnado".(...)
b) - Que seria o nosso corpo se não tivesse alma?
"Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem".
Admira-se nestes textos a limpidez da Doutrina Espírita a respeito do que seja a alma do homem.
A alma humana é um Espírito encarnado.
É incrível que em definição tão simples possa encerrar-se tão grande verdade!
Com efeito, a ela se aplica tudo o que os próprios Espíritos ensinaram a respeito do Espírito. Pelos textos pode concluir-se que a sua essência é puramente espiritual, pois até o perispírito, segundo os mesmos textos, é simples invólucro semimaterial que a acompanha nas suas diversas encarnações neste mundo, mas que ela despirá, também, um dia quando, por ter-se mais altamente graduado, puder encarnar em um mundo mais evoluído, trocando-o por outro menos denso, formado com os fluidos ambientes desse mundo melhor. Encarnando e reencarnando num mundo material e em sucessivos mundos cada vez menos materiais e mais elevados, tem a alma por objetivo supremo o seu progresso espiritual até atingir total libertação da matéria e da necessidade da encarnação.
É, pois, a alma humana um ser real, individual, independente e autônomo, de natureza puramente espiritual e que tem por destino grandioso progredir sempre, alteando-se cada vez mais em conhecimentos e em virtudes, realizando-o através de múltiplas existências corporais, nas quais se depura e se eleva gradualmente até que, por fim, se liberta totalmente da necessidade de encarnar, por ter-se tornado Espírito puro, atingindo o topo da Escala Espírita, passando a fruir uma felicidade incomparável e inimaginável pelo homem terreno.
Com Allan Kardec, pois, e a Nova Era do Espírito - que ele iniciou - abriram-se perspectivas novas para o Espírito humano. Com a sua conceituação da alma, tornou-se a Doutrina Espírita a doutrina da esperança, pois descerrou aos olhos dos homens um futuro verdadeiramente feliz e promissor.
Ela é bem o Consolador que Jesus prometeu à Humanidade! (...)
Bibliografia: Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
A influência dos Espíritos sobre os nossos pensamentos e atos é tão grande que, de ordinário, são eles que nos dirigem. Esta influência pode ser boa ou má, oculta ou ostensiva, fugaz ou duradoura. Em qualquer situação, fica claro que a influenciação se concretiza através da sintonia que se estabelece.
É conveniente recordar que"(...) pensar é vibrar, é entrar em relação com o Universo espiritual que nos envolve, e, conforme a espécie das emissões mentais de cada ser, elementos similares se lhe imanizarão, acentuando-lhes as disposições e cooperando com ele em seus esforços ascensionais ou em suas quedas e deslizes. (...)"
Não podemos descuidar da nossa casa mental e seguir, vida a fora, arrastados pela ação maléfica dos Espíritos atrasados. "Os Espíritos infelizes, de mente ultrajada, vivem mais com os companheiros encarnados do que se supõe. Misturam-se nas atividades comuns, perambulam no ninho doméstico, participam das conversações, seguem com os comensais, de quem dependem, em processo legítimo de vampirização...
Perturbam-se e perturbam.
Sofrem e fazem sofrer.
Odeiam e geram ódios.
Amesquinhados em si mesmos, amesquinham os outros.
Infelicitados, infelicitam".
Já a ação dos Espíritos Superiores é outra. "Os bons Espíritos só para o bem aconselham (...)""(...) suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos, sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la. (...)"
Tomando consciência de que "(...) o pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir (...)", nada mais natural que se consiga harmonia e felicidade, quando a emissão mental for equilibrada e edificante; ou, aflição e quedas morais, se o pensamento for desequilibrado e doentio. "(...) A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco. (...)"
Podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos, (...) praticando o bem e pondo em Deus toda a (...) confiança (...)" e procurando repelir as sugestões inferiores e não atender aos maus pensamentos que geram a discórdia, as lutas antifraternas, o ciúme, a inveja e a exaltação do orgulho.
À medida que se perseverar no propósito firme de melhoria, através de desligamento do mal, a influência provocada pelas entidades inferiores dará lugar aos conselhos e sugestões edificantes dos benfeitores espirituais.
Pelo que foi dito, ficou patenteada a ação que os Espíritos exercem uns sobre os outros, sobretudo entre desencarnados e encarnados, estabelecendo-se, assim uma reciprocidade constante de intercâmbio. Daí, ser difícil, senão impossível, em determinadas ocasiões, distinguir um pensamento próprio de um que nos é sugerido. "(...) Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. (...)" É o que consta na pergunta 461 de O Livro dos Espíritos; porém nesta mesma pergunta os Espíritos dizem não ser de grande interesse estabelecer a distinção entre um pensamento próprio e um sugerido, acrescentando até, que em muitas ocasiões, é útil que não saibamos distinguir.
Foi, evidentemente, compreendendo o valor desta questão que Kardec conclui:
"(...) se fora útil que pudéssemos distinguir claramente os nossos pensamentos próprios dos que nos são sugeridos, Deus nos houvera proporcionado os meios de o conseguirmos, como nos concedeu o de diferenciarmos o dia da noite. Quando uma coisa se conserva imprecisa, é que convém assim aconteça".
Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal
Caso 01
Quando reencontrei o meu amigo Custódio Saquarema na Vida Espiritual, depois da efusão afetiva de companheiros separados desde muito, a conversa se dirigiu naturalmente para comentários em torno da nova situação.
Sabia Custódio pertencente a família espírita e, decerto, nessa condição, teria ele retirado o máximo de vantagens da existência que vinha de largar. Pensando nisso, arrisquei uma pergunta, na expectativa de sabê-lo com excelente bagagem para o ingresso em estâncias superiores. Saquarema, contudo, sorriu, de modo vago, e informou com a fina autocrítica que eu lhe conhecia no mundo:
- Ora, meu caro, você não avalia o que seja uma obsessão disfarçada, sem qualquer mostra exterior. A Terra me devolveu para cá, na velha base do ganhou mas não leva. Ajuntei muita consideração e muito dinheiro; no entanto, retorno muito mais pobre do que quando parti, no rumo da reencarnação...
Percebendo que não me dispunha a interrompê-lo, continuou:
- Você não ignora que renasci num lar espírita, mas, como sucede à maioria dos reencarnados, trazia comigo, jungidos ao meu clima psíquico, alguns sócios de vícios e extravagâncias do passado, que, sem veículo de carne, se valiam de mim para se vincularem às sensações do plano terrestre, qual se eu fora uma vaca, habilitada a cooperar na alimentação e condução de pequena família... Creia que, de minha parte, havia retomado a charrua física, levando excelente programa de trabalho que, se atendido, me asseguraria precioso avanço para as vanguardas da luz. Entretanto, meus vampirizadores, ardilosos e inteligentes, agiam à socapa, sem que eu, nem de leve, lhes pressentisse a influência... E sabe como?
- ? ...
- Através de simples considerações íntimas - prosseguiu Saquarema, desapontado. - Tão logo me vi saído da adolescência, com boa dose de raciocínios lógicos na cabeça, os instrutores amigos me exortaram, por meus pais, a cultivar o reino do espírito, referindo-se a estudo, abnegação, aprimoramento, mas, dentro de mim, as vozes de meus acompanhantes surgiam da mente, como fios d’água fluindo de minadouro, propiciando-me a falsa idéia de que eu falava comigo mesmo: "Coisas da alma, Custódio? Nada disso. A sua hora é de juventude, alegria, sol... Deixe a filosofia para depois..." Decorrido algum tempo, bacharelei-me. As advertências do lar se fizeram mais altas, conclamando-me ao dever; entretanto, os meus seguidores, até então invisíveis para mim, revidavam também com a zombaria inarticulada: "Agora? Não é ocasião oportuna. De que maneira harmonizar a carreira iniciante com assuntos de religião? Custódio, Custódio!... Observe o critério das maiorias, não se faça de louco!..." Casei-me e, logo após os chamados à espiritualização recrudesceram em torno de mim. Meus solertes exploradores, porém, comentaram, vivazes: "Não ceda, Custódio! E as responsabilidades de família? É preciso trabalhar, ganhar dinheiro, obter posição, zelar por mulher e filhos..." A morte subtraiu-me os pais e eu, advogado e financista, já na idade madura, ainda ouvia os Bons Espíritos, por intermédio de companheiros dedicados, requisitando-me à elevação moral pela execução dos compromissos assumidos; todavia, na casa interna se empoleiravam os argumentos de meus obsessores inflexíveis: "Custódio, você tem mais que fazeres... Como diminuir os negócios? E a vida social? Pense na vida social... Você não está preparado para seara de fé..." Em seguida, meu amigo, chegaram a velhice e a doença, essas duas enfermeiras da alma, que vivem de mãos dadas na Terra. Passei a sofrer e desencantar-me. Alguns raros visitantes de minha senectude, transmitindo-me os derradeiros convites da Espiritualidade Maior, insistiam comigo, esperando que eu me consagrasse às coisas sagradas da alma; no entanto, dessa vez, os gritos de meus antigos vampirizadores se altearam, mais irônicos, assoprando-me sarcasmo, qual se fora eu mesmo a ridicularizar-me: "Você, velho Custódio?! Que vai fazer você com Espiritismo? É tarde demais... Profissão de fé, mensagens de outro mundo... Que se dirá de você, meu velho? Seus melhores amigos falarão em loucura, senilidade... Não tenha dúvida... Seus próprios filhos interditarão você, como sendo um doente mental, inapto à regência de qualquer interesse econômico... Você não está mais no tempo disso..."
Saquarema endereçou-me significativo olhar e rematou: Os meus perseguidores não me seviciaram o corpo, nem me conturbaram a mente. Acalentaram apenas o meu comodismo e, com isso, me impediram qualquer passo renovador. Volto da Terra, meu caro, imitando o lavrador endividado e de mãos vazias que regressa de um campo fértil, onde poderia ter amealhado inimagináveis tesouros... Sei que você ainda escreve para os homens, nossos irmãos. Conte-lhes minha pobre experiência, refira-se, junto deles, à obsessão pacífica, perigosa, mascarada... Diga-lhes alguma coisa acerca do valor do tempo, da grandeza potencial de qualquer tempo na romagem humana!
Abracei Saquarema, de esperança voltada para tempos novos, prometendo atender-lhe a solicitação. E aqui lhe transcrevo o ensinamento pessoal, que poderá servir a muita gente, embora guarde a certeza de que, se eu andasse agora reencarnado na Terra e recebesse de alguém semelhante lição, talvez estivesse muito pouco inclinado a aproveitá-la.
Caso 02
Marques, o ex-presidente do templo espírita falava ao companheiro:
- Teremos assembléia geral depois de amanhã e estou colecionando os documentos. Veremos quem pode mais. Desmoralizarei os mandriões.
E Osório o amigo fiel, ponderava:
- Mas calma. O senhor foi presidente por muitos anos. Sempre respeitado. Sempre querido. Recordemos nossas reuniões. Nosso Dias da Cruz, que o senhor conheceu tão bem, quando neste mundo, prometeu ajudá-lo até ao fim...
- Sei que estou protegido - dizia Marques, beliscando, nervoso a barba branca -, mas vou colocar a coisa em pratos limpos. A diretoria foi tomada de assalto. É muita gente querendo transformar a casa em gamela gorda. - Marques, a ironia é veneno.
- Tenho fotocópias, retratos, informações e muito papel importante para mostrar o passado desses oportunistas. Todo o material será exibido na assembléia. Alguns desses companheiros transviados são passíveis de xadrez.
- Medite, Marques, medite! - pedia Osório. - O que passou, passou... Agitar o fundo de um poço é fazer lama. Ore. Peça o amparo do Alto.
E, a convite do amigo, os dois se puseram em prece, rogando proteção espiritual.
Em seguida, tornaram à casa de Marques, onde Osório observaria como adoçar o calhamaço.
Ao procurar o libelo escrito, o dono da casa ouviu da arrumadeira, que entrara na véspera, a estranha explicação:
- Senhor Marques, todos os papeis que o senhor deixou espalhados nas cadeiras, com retratos e jornais, eu entreguei ao lixeiro, quando o caminhão da Prefeitura por aqui passou.
- Mas Deus! - gritou o velhinho, entrelaçando as mãos na cabeça, ante Osório sorridente - era serviço de oito meses!
E a jovem inexperiente replicou, sem saber que fazia a definição moral:
- Mas era muita sujeira!
Caso 03
Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:
- Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do Mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lhe armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gêmio das Trevas, a fim de ouvi-lo a respeito.
Um companheiro de consciência enrijecida recebeu a incumbência e partiu.
O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo Menor que apresentasse sugestões.
O subordinado falou, com ênfase:
- Não poderíamos despojá-lo de todos os bens?
- Isto, não - disse o perverso orientador -; para um servo dessa têmpera, a perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil meios diferentes para aumentar suas contribuições à Humanidade.
- Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-lhe os filhos a enchê-lo de opróbrio e ingratidão... - aventou o pequeno perturbador, reticencioso.
O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:
- Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a multidão?
O embaixador, desapontado, acentuou:
- Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; criva-lo-emos de feridas e aflições.
- Nada disso - acrescentou o gênio satânico -, ele acharia meios de afervorar-se na confiança e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na dor.
Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele! - clamou o emissário.
- Para quê? - tornou o Espírito das Sombras. - Transformar-se-ia num mártir, redentor de muitos. Valer-se-á de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante do Céu.
Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:
- Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...
- Que dizes? - Redargüiu a Inteligência perversa. - A morte ser-lhe-ia a mais doce bênção, por conduzi-lo às claridades do Paraíso.
E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez expressivo movimento de olhos e aconselhou, loquaz:
- Não sejas tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que não passa de mesquinho verme desconhecido... Impõe-lhe o conhecimento da própria pequenez, a fim de que jamais se engrandeça, e verás...
O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido.
Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida insignificância, e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: "como te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? Não te sentes simples joguete de paixões inferiores da carne? Não te envergonhas da animalidade que trazes no ser? Que pode um grão de areia perdido no deserto? Não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?"
O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e, depois de escutar longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa começa no grelo frágil, e deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação para despertar somente na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida.
Silenciou Jesus, contemplando a noite calma...
Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos demais, se despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços.
NEIO LÚCIO
BIBLIOGRAFIA
XAVIER, Francisco Cândido. Obsessão Pacífica. In:_.Cartas e Crônicas. Ditadas pelo Espírito Irmão X. 4. ed.Rio de Janeiro: FEB, 1979. Pags. 38-42
VIEIRA, Waldo. Proteção espiritual, In:_.Almasem desfile. Ditado pelo Espírito Hilário Silva. 3.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977. Pags. 32-33
Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
Atributos da Divindade
Não podendo o homem abarcar, na sua carência perceptiva, todos os atributos divinos de absoluta perfeição, pode, entretanto, fazer idéia de alguns, exatamente aqueles de que Deus não pode prescindir. Nesses atributos, que vamos a seguir enumerar, Ele tem de ser perfeito, possuir em seu grau supremo todas as perfeições e ser em todas infinito.
"(...) A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. (...)"
Deus é espírito - o Supremo Espírito! Absolutamente perfeito, não é comparável a quaisquer outros seres, estando infinitamente acima de todos: possuindo sabedoria e poder infinitos, paira, onipotente, sobre todo o Universo, e a comunica, onipotente, o seu influxo e a sua vontade.
01. Deus é eterno, não tem princípio, existe e existiu sempre.
Afigura-se-nos difícil conceber algo que não tenha tido princípio.
Mas isso é em se tratando das criaturas. Deus é o criador de tudo, independente e absoluto. A criatura é finita, Deus é infinito.
Se Deus ‘(...) tivesse tido princípio, teria saído do nada (...)", o que é absurdo, pois do nada não pode sair alguma coisa -, "ou então, também teria sido criado por um ser anterior. (...) Deus já não seria, então o Absoluto. " É assim - diz Kardec - que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. (...)
02. Deus é imutável. Não fosse assim, nenhuma estabilidade teria o Universo, porque estariam sujeitas a variações as leis que o regem. O contrário, porém, é o que se verifica por toda parte e em tudo, a estabilidade e a harmonia.
03. Deus é imaterial. Sua natureza difere de tudo o que conhecemos como matéria. Por isso é absolutamente invisível, intangível, enfim, inacessível a qualquer percepção sensória. (...) De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. (...)"
04. Deus é único. Não há deuses, mas um Deus somente, soberano do Universo, criador absoluto e incriado, infinito e eterno. "(...) se muitos deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo. (...)"
05. Deus é onipotente. Sua vontade é soberana e prevalecem sempre seus desígnios sábios e justos. "(...) Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus. (...)"
06. Deus é soberanamente justo e bom. Em tudo e em toda parte aparecem a bondade e a justiça de Deus na providência com que, através de leis perfeitas, assiste às suas criaturas; desde que estas se submetem aos seus desígnios sábios e não se insurjam contra essas leis reguladoras do ritmo do Universo, tanto quanto do funcionamento da vida do homem. "(...) A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim, nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus."
Entre os atributos acima ressalta a imaterialidade. Por considerar Deus como absolutamente imaterial é que o Espiritismo repele in totum o Panteísmo, doutrina que - em vez de ser um distinto e onipresente no Universo, pelo seu infinito poder de irradiação - considera-o como (...) a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas (...). Segundo a mesma doutrina, "todos os corpos da natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade. (...)
A razão repele tal absurdidade e Kardec argumenta a respeito dela com grande lucidez:
"(...) Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. (...)
A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro é o pintor que o concebeu e executou."
Deus é Espírito, repitamos. Afirmou-o Jesus em seu colóquio com a Samaritana, quando acrescentou também que em Espírito e Verdade é que o devem os homens adorar. Sua essência íntima não pode o homem perceber, porque lhe falta o sentido para isso, conforme a resposta dos Espíritos à argüição de Kardec.
Entretanto o Codificador, mostrando uma alta inspiração que em si vibrava e uma lúcida esperança, redargüiu ainda:
"Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?"
A que os Espíritos, solícitos, responderam:
"Quando não mais tiver o Espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá. (...)"
Então, na própria idéia de Deus, como essência puramente espiritual, e na possibilidade de um dia chegar a vê-lo e compreendê-lo - quando se tornar Espírito puro e perfeito - está delineada, para o homem, toda uma perspectiva de trabalho e de esperança: de degrau em degrau ele progredirá e, evoluindo espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos até conquistar um puro sentido espiritual que lhe permitirá por-se em relação com Deus, vendo-o, ouvindo-o e compreendendo-lhe a Divina Vontade.
Jesus, em cujo testemunho devemos crer, quando ele afirmou que tudo o que fazia, ou dizia, não era de si mesmo, mas refletia a vontade do Pai, Espírito puro e perfeito que é, tem essa incomparável felicidade de auscultar a vontade divina através de delicadíssimo sentido espiritual, que lhe outorgam a sua pureza e a sua perfeição.
BIBLIOGRAFIA
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
01. KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 75.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1983. Perg. 10.
A Alma Humana
Antes do Espiritismo, errônea ou muito imprecisa, vaga e confusa era a idéia que se fazia da alma humana.Erradamente considerada como efeito e não causa pelos materialista, estes viam nos fenômenos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema nervoso do homem. Um decantado, mas mal compreendido paralelismo psicofisicológico parecia justificar esse modo de ver, portanto, de fato, lesado o cérebro, ou a medula espinhal, ou os nervos, perturbam-se as funções superiores da consciência, o pensamento lógico, o juízo, o raciocínio, a memória, as sensações e percepções, bem como a afetividade e a motilidade voluntária, instalando-se a demência, os delírios, as alucinações, a amnésia, as incoordenações motoras a disartria, as paralisias, a afasia, a insensibilidade e mesmo o coma. Foram, assim, os homens de ciência, principalmente os fisiologistas e os psicólogos, os médicos e os psiquiatras, levados a um erro fundamental, que foi inverterem os papéis do corpo e da alma, dando primazia àquele que, entretanto, é apenas instrumento desta para suas atividades, enquanto encarnada.
Seria a alma, então, mero efeito do funcionamento do corpo material.
Ainda erradamente foi confundida a alma com o princípio da vida orgânica pelos vitalistas, os quais, dando embora à alma vital o caráter de causa da vida, não explicam o atributo essencial da alma humana, que é a consciência individual, resultante da faculdade cognitiva ou inteligente do ser humano. A inteligência nada tem a ver com a matéria orgânica, nem tampouco com o princípio vital, que ainda é substância material, embora sutil e dinâmica, donde emana a força vital, mas não a inteligência e, muito menos, a razão lógica, a afetividade e o senso moral, todas faculdades superiores, inexistentes nos outros seres vivos e organizados, vegetais ou animais, pelo menos no grau em que esplendem no homem racional e moral.
Finalmente, foi a alma considerada como um ser real e distinto, causa e não efeito de toda atividade psicológica e moral do homem, pelos espiritualistas. Estes compreendem-na como um ser imaterial, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda, erroneamente, criada com o corpo e para esse corpo exclusivamente, ao qual se liga durante a vida física e dele se desprende quando morre, para seguir um destino do qual se fazem idéias muito vagas, mais por tradição do que pelo convencimento da razão ou qualquer espécie de comprovação. "(...) Esta concepção se aproxima um pouco da verdade, porque dá à alma humana a qualidade e o papel, que ela realmente tem, de causa espiritual de toda a vida psicológica e moral do homem, concebendo-a ainda como eterna e imortal, portanto, sobrevivente ao corpo material perecível; mas ela peca por erro fundamental, que só por si tem gravíssimas e danosas conseqüências, especialmente no que tange à vida moral: limita o horizonte da alma humana a uma só existência corporal, condicionando o seu patrimônio intelectual e moral a essa existência única, sem levar em conta o acervo de aquisição do passado dessa alma, uma vez que a não considera preexistente ao corpo atual, vinda de passar por numerosas outras existências em outros tantos corpos, nas quais acumulou variadas experiências pretéritas valiosíssimas. Fixa, em conseqüência, o seu destino - feliz ou desgraçado -, neste mundo e no outro, de uma maneira irrevogável e na mais estrita dependência de condições que são muito pessoais para cada indivíduo, extraordinariamente variáveis e aparentemente fora de qualquer lei de causalidade justa e equânime. (...)
Com Allan Kardec, porém, e a codificação do Espiritismo - que foi a sua obra missionária - raiou no mundo a aurora de uma Nova Era, a era do Espírito, e a conceituação de alma humana recebeu, então, brilhante luz. Sim, depois da demonstração experimental da existência de um mundo espiritual primitivo e dos Espíritos, que são os seus habitantes, pela própria manifestação destes através dos fenômenos mediúnicos, depois que os próprios Espíritos, pois, vieram revelar o que eles verdadeiramente são, qual a natureza, como podem manifestar-se e se comunicar com os homens, qual é também o seu destino e como se realiza esse destino - que é progredir através de sucessivas encarnações em mundos materiais e em corpos carnais - depois desses admiráveis conhecimentos sobre o Espírito, pôde ser dada a verdadeira definição de alma humana. Essa definição, embora extremamente simples, pode considerar-se magistral. Vamos apreciá-las nas próprias palavras do Codificador, citando os textos correspondentes de O Livro dos Espíritos:
"134. Que é a alma?"
"Um Espírito encarnado".(...)
b) - Que seria o nosso corpo se não tivesse alma?
"Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem".
Admira-se nestes textos a limpidez da Doutrina Espírita a respeito do que seja a alma do homem.
A alma humana é um Espírito encarnado.
É incrível que em definição tão simples possa encerrar-se tão grande verdade!
Com efeito, a ela se aplica tudo o que os próprios Espíritos ensinaram a respeito do Espírito. Pelos textos pode concluir-se que a sua essência é puramente espiritual, pois até o perispírito, segundo os mesmos textos, é simples invólucro semimaterial que a acompanha nas suas diversas encarnações neste mundo, mas que ela despirá, também, um dia quando, por ter-se mais altamente graduado, puder encarnar em um mundo mais evoluído, trocando-o por outro menos denso, formado com os fluidos ambientes desse mundo melhor. Encarnando e reencarnando num mundo material e em sucessivos mundos cada vez menos materiais e mais elevados, tem a alma por objetivo supremo o seu progresso espiritual até atingir total libertação da matéria e da necessidade da encarnação.
É, pois, a alma humana um ser real, individual, independente e autônomo, de natureza puramente espiritual e que tem por destino grandioso progredir sempre, alteando-se cada vez mais em conhecimentos e em virtudes, realizando-o através de múltiplas existências corporais, nas quais se depura e se eleva gradualmente até que, por fim, se liberta totalmente da necessidade de encarnar, por ter-se tornado Espírito puro, atingindo o topo da Escala Espírita, passando a fruir uma felicidade incomparável e inimaginável pelo homem terreno.
Com Allan Kardec, pois, e a Nova Era do Espírito - que ele iniciou - abriram-se perspectivas novas para o Espírito humano. Com a sua conceituação da alma, tornou-se a Doutrina Espírita a doutrina da esperança, pois descerrou aos olhos dos homens um futuro verdadeiramente feliz e promissor.
Ela é bem o Consolador que Jesus prometeu à Humanidade! (...)
Bibliografia: Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
Influência dos Espíritos em nossos Pensamentos e Atos
É conveniente recordar que"(...) pensar é vibrar, é entrar em relação com o Universo espiritual que nos envolve, e, conforme a espécie das emissões mentais de cada ser, elementos similares se lhe imanizarão, acentuando-lhes as disposições e cooperando com ele em seus esforços ascensionais ou em suas quedas e deslizes. (...)"
Não podemos descuidar da nossa casa mental e seguir, vida a fora, arrastados pela ação maléfica dos Espíritos atrasados. "Os Espíritos infelizes, de mente ultrajada, vivem mais com os companheiros encarnados do que se supõe. Misturam-se nas atividades comuns, perambulam no ninho doméstico, participam das conversações, seguem com os comensais, de quem dependem, em processo legítimo de vampirização...
Perturbam-se e perturbam.
Sofrem e fazem sofrer.
Odeiam e geram ódios.
Amesquinhados em si mesmos, amesquinham os outros.
Infelicitados, infelicitam".
Já a ação dos Espíritos Superiores é outra. "Os bons Espíritos só para o bem aconselham (...)""(...) suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos, sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la. (...)"
Tomando consciência de que "(...) o pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir (...)", nada mais natural que se consiga harmonia e felicidade, quando a emissão mental for equilibrada e edificante; ou, aflição e quedas morais, se o pensamento for desequilibrado e doentio. "(...) A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco. (...)"
Podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos, (...) praticando o bem e pondo em Deus toda a (...) confiança (...)" e procurando repelir as sugestões inferiores e não atender aos maus pensamentos que geram a discórdia, as lutas antifraternas, o ciúme, a inveja e a exaltação do orgulho.
À medida que se perseverar no propósito firme de melhoria, através de desligamento do mal, a influência provocada pelas entidades inferiores dará lugar aos conselhos e sugestões edificantes dos benfeitores espirituais.
Pelo que foi dito, ficou patenteada a ação que os Espíritos exercem uns sobre os outros, sobretudo entre desencarnados e encarnados, estabelecendo-se, assim uma reciprocidade constante de intercâmbio. Daí, ser difícil, senão impossível, em determinadas ocasiões, distinguir um pensamento próprio de um que nos é sugerido. "(...) Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. (...)" É o que consta na pergunta 461 de O Livro dos Espíritos; porém nesta mesma pergunta os Espíritos dizem não ser de grande interesse estabelecer a distinção entre um pensamento próprio e um sugerido, acrescentando até, que em muitas ocasiões, é útil que não saibamos distinguir.
Foi, evidentemente, compreendendo o valor desta questão que Kardec conclui:
"(...) se fora útil que pudéssemos distinguir claramente os nossos pensamentos próprios dos que nos são sugeridos, Deus nos houvera proporcionado os meios de o conseguirmos, como nos concedeu o de diferenciarmos o dia da noite. Quando uma coisa se conserva imprecisa, é que convém assim aconteça".
Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal
Caso 01
Quando reencontrei o meu amigo Custódio Saquarema na Vida Espiritual, depois da efusão afetiva de companheiros separados desde muito, a conversa se dirigiu naturalmente para comentários em torno da nova situação.
Sabia Custódio pertencente a família espírita e, decerto, nessa condição, teria ele retirado o máximo de vantagens da existência que vinha de largar. Pensando nisso, arrisquei uma pergunta, na expectativa de sabê-lo com excelente bagagem para o ingresso em estâncias superiores. Saquarema, contudo, sorriu, de modo vago, e informou com a fina autocrítica que eu lhe conhecia no mundo:
- Ora, meu caro, você não avalia o que seja uma obsessão disfarçada, sem qualquer mostra exterior. A Terra me devolveu para cá, na velha base do ganhou mas não leva. Ajuntei muita consideração e muito dinheiro; no entanto, retorno muito mais pobre do que quando parti, no rumo da reencarnação...
Percebendo que não me dispunha a interrompê-lo, continuou:
- Você não ignora que renasci num lar espírita, mas, como sucede à maioria dos reencarnados, trazia comigo, jungidos ao meu clima psíquico, alguns sócios de vícios e extravagâncias do passado, que, sem veículo de carne, se valiam de mim para se vincularem às sensações do plano terrestre, qual se eu fora uma vaca, habilitada a cooperar na alimentação e condução de pequena família... Creia que, de minha parte, havia retomado a charrua física, levando excelente programa de trabalho que, se atendido, me asseguraria precioso avanço para as vanguardas da luz. Entretanto, meus vampirizadores, ardilosos e inteligentes, agiam à socapa, sem que eu, nem de leve, lhes pressentisse a influência... E sabe como?
- ? ...
- Através de simples considerações íntimas - prosseguiu Saquarema, desapontado. - Tão logo me vi saído da adolescência, com boa dose de raciocínios lógicos na cabeça, os instrutores amigos me exortaram, por meus pais, a cultivar o reino do espírito, referindo-se a estudo, abnegação, aprimoramento, mas, dentro de mim, as vozes de meus acompanhantes surgiam da mente, como fios d’água fluindo de minadouro, propiciando-me a falsa idéia de que eu falava comigo mesmo: "Coisas da alma, Custódio? Nada disso. A sua hora é de juventude, alegria, sol... Deixe a filosofia para depois..." Decorrido algum tempo, bacharelei-me. As advertências do lar se fizeram mais altas, conclamando-me ao dever; entretanto, os meus seguidores, até então invisíveis para mim, revidavam também com a zombaria inarticulada: "Agora? Não é ocasião oportuna. De que maneira harmonizar a carreira iniciante com assuntos de religião? Custódio, Custódio!... Observe o critério das maiorias, não se faça de louco!..." Casei-me e, logo após os chamados à espiritualização recrudesceram em torno de mim. Meus solertes exploradores, porém, comentaram, vivazes: "Não ceda, Custódio! E as responsabilidades de família? É preciso trabalhar, ganhar dinheiro, obter posição, zelar por mulher e filhos..." A morte subtraiu-me os pais e eu, advogado e financista, já na idade madura, ainda ouvia os Bons Espíritos, por intermédio de companheiros dedicados, requisitando-me à elevação moral pela execução dos compromissos assumidos; todavia, na casa interna se empoleiravam os argumentos de meus obsessores inflexíveis: "Custódio, você tem mais que fazeres... Como diminuir os negócios? E a vida social? Pense na vida social... Você não está preparado para seara de fé..." Em seguida, meu amigo, chegaram a velhice e a doença, essas duas enfermeiras da alma, que vivem de mãos dadas na Terra. Passei a sofrer e desencantar-me. Alguns raros visitantes de minha senectude, transmitindo-me os derradeiros convites da Espiritualidade Maior, insistiam comigo, esperando que eu me consagrasse às coisas sagradas da alma; no entanto, dessa vez, os gritos de meus antigos vampirizadores se altearam, mais irônicos, assoprando-me sarcasmo, qual se fora eu mesmo a ridicularizar-me: "Você, velho Custódio?! Que vai fazer você com Espiritismo? É tarde demais... Profissão de fé, mensagens de outro mundo... Que se dirá de você, meu velho? Seus melhores amigos falarão em loucura, senilidade... Não tenha dúvida... Seus próprios filhos interditarão você, como sendo um doente mental, inapto à regência de qualquer interesse econômico... Você não está mais no tempo disso..."
Saquarema endereçou-me significativo olhar e rematou: Os meus perseguidores não me seviciaram o corpo, nem me conturbaram a mente. Acalentaram apenas o meu comodismo e, com isso, me impediram qualquer passo renovador. Volto da Terra, meu caro, imitando o lavrador endividado e de mãos vazias que regressa de um campo fértil, onde poderia ter amealhado inimagináveis tesouros... Sei que você ainda escreve para os homens, nossos irmãos. Conte-lhes minha pobre experiência, refira-se, junto deles, à obsessão pacífica, perigosa, mascarada... Diga-lhes alguma coisa acerca do valor do tempo, da grandeza potencial de qualquer tempo na romagem humana!
Abracei Saquarema, de esperança voltada para tempos novos, prometendo atender-lhe a solicitação. E aqui lhe transcrevo o ensinamento pessoal, que poderá servir a muita gente, embora guarde a certeza de que, se eu andasse agora reencarnado na Terra e recebesse de alguém semelhante lição, talvez estivesse muito pouco inclinado a aproveitá-la.
Caso 02
Marques, o ex-presidente do templo espírita falava ao companheiro:
- Teremos assembléia geral depois de amanhã e estou colecionando os documentos. Veremos quem pode mais. Desmoralizarei os mandriões.
E Osório o amigo fiel, ponderava:
- Mas calma. O senhor foi presidente por muitos anos. Sempre respeitado. Sempre querido. Recordemos nossas reuniões. Nosso Dias da Cruz, que o senhor conheceu tão bem, quando neste mundo, prometeu ajudá-lo até ao fim...
- Sei que estou protegido - dizia Marques, beliscando, nervoso a barba branca -, mas vou colocar a coisa em pratos limpos. A diretoria foi tomada de assalto. É muita gente querendo transformar a casa em gamela gorda. - Marques, a ironia é veneno.
- Tenho fotocópias, retratos, informações e muito papel importante para mostrar o passado desses oportunistas. Todo o material será exibido na assembléia. Alguns desses companheiros transviados são passíveis de xadrez.
- Medite, Marques, medite! - pedia Osório. - O que passou, passou... Agitar o fundo de um poço é fazer lama. Ore. Peça o amparo do Alto.
E, a convite do amigo, os dois se puseram em prece, rogando proteção espiritual.
Em seguida, tornaram à casa de Marques, onde Osório observaria como adoçar o calhamaço.
Ao procurar o libelo escrito, o dono da casa ouviu da arrumadeira, que entrara na véspera, a estranha explicação:
- Senhor Marques, todos os papeis que o senhor deixou espalhados nas cadeiras, com retratos e jornais, eu entreguei ao lixeiro, quando o caminhão da Prefeitura por aqui passou.
- Mas Deus! - gritou o velhinho, entrelaçando as mãos na cabeça, ante Osório sorridente - era serviço de oito meses!
E a jovem inexperiente replicou, sem saber que fazia a definição moral:
- Mas era muita sujeira!
Caso 03
Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:
- Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do Mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lhe armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gêmio das Trevas, a fim de ouvi-lo a respeito.
Um companheiro de consciência enrijecida recebeu a incumbência e partiu.
O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo Menor que apresentasse sugestões.
O subordinado falou, com ênfase:
- Não poderíamos despojá-lo de todos os bens?
- Isto, não - disse o perverso orientador -; para um servo dessa têmpera, a perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil meios diferentes para aumentar suas contribuições à Humanidade.
- Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-lhe os filhos a enchê-lo de opróbrio e ingratidão... - aventou o pequeno perturbador, reticencioso.
O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:
- Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a multidão?
O embaixador, desapontado, acentuou:
- Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; criva-lo-emos de feridas e aflições.
- Nada disso - acrescentou o gênio satânico -, ele acharia meios de afervorar-se na confiança e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na dor.
Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele! - clamou o emissário.
- Para quê? - tornou o Espírito das Sombras. - Transformar-se-ia num mártir, redentor de muitos. Valer-se-á de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante do Céu.
Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:
- Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...
- Que dizes? - Redargüiu a Inteligência perversa. - A morte ser-lhe-ia a mais doce bênção, por conduzi-lo às claridades do Paraíso.
E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez expressivo movimento de olhos e aconselhou, loquaz:
- Não sejas tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que não passa de mesquinho verme desconhecido... Impõe-lhe o conhecimento da própria pequenez, a fim de que jamais se engrandeça, e verás...
O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido.
Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida insignificância, e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: "como te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? Não te sentes simples joguete de paixões inferiores da carne? Não te envergonhas da animalidade que trazes no ser? Que pode um grão de areia perdido no deserto? Não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?"
O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e, depois de escutar longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa começa no grelo frágil, e deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação para despertar somente na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida.
Silenciou Jesus, contemplando a noite calma...
Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos demais, se despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços.
NEIO LÚCIO
BIBLIOGRAFIA
XAVIER, Francisco Cândido. Obsessão Pacífica. In:_.Cartas e Crônicas. Ditadas pelo Espírito Irmão X. 4. ed.Rio de Janeiro: FEB, 1979. Pags. 38-42
VIEIRA, Waldo. Proteção espiritual, In:_.Almas
Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.
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