Ter compaixão significa querer que o sofrimento de alguém cesse. Diz-se que a compaixão dos buddhas e bodhisattvas estende-se como os raios do sol, desimpedida, através dos limites do espaço. A compaixão é uma qualidade inerente em todos nós, mas muitas vezes restringimos seu potencial completo, estendendo-a àqueles que vemos como amigos e ocultando-a daqueles que vemos como inimigos.
Quando testemunhamos um incidente envolvendo uma vítima e um agressor, naturalmente temos compaixão pela vítima. Mas temos menos insight pelo malfeitor. Assim como nós, aquela pessoa não entende o que é benéfico e o que é maléfico. Ela acredita que, prejudicando alguém, de algum modo melhorará sua própria situação. Mas ela está plantando uma semente. Se você plantar uma semente de maçã, ela se transformará em uma árvore que produz mais maçãs. O solo da mente é bem fértil. Através de suas ações, o malfeitor planta sementes de sofrimento que serão muito piores do que podemos imaginar e muito piores que o sofrimento que ele infligiu sobre a vítima. Mas em sua ignorância e confusão, ele não entende que suas ações terão conseqüências, nem sabe quais serão os resultados destas ações. Se plantarmos uma semente em certo lugar e a esquecermos, poderemos não reconhecer que uma planta que eventualmente cresça lá seja um resultado daquela semente. De modo similar, não parece possível que uma única ação possa produzir os resultados — algumas vezes impressionantes — que se tornam a nossa experiência.
Se entendermos que as ações têm resultados a longo prazo, é mais fácil estendermos nossa compaixão pela vítima ao agressor também. De fato, teremos ainda mais simpatia pelo agressor, que está plantando essas sementes kármicas negativas.
Então, sem raiva podemos fazer um esforço para ajudar cada um envolvido na situação — malfeitor ou vítima — e o benefício que criamos se estenderá além da mera resolução do incidente.
Se alguém tentar prejudicá-lo ou difamá-lo, e se você verdadeiramente treinou na tradição da compaixão, então essa pessoa não poderá feri-lo. Ao invés disso, através de suas ações ele está criando as condições para o seu próprio sofrimento, e assim você deve ter compaixão por ele. As palavras dele não têm impacto real sobre você. É como se alguém lhe disparasse uma flecha, mas você está vestindo uma armadura. Sua compaixão é a sua armadura e ela faz a flecha cair no chão. Mas se o que alguém disser sobre você o fizer ficar raivoso e você insistir sobre isso, então é como pegar a flecha e se perfurar com ela de novo e de novo. O fato de a flecha infligir sofrimento não tem nada a ver com aquele que a atira, mas sim com o fato de nos fazermos um alvo de nós mesmos ou não.
Se alguém diz que você é bom, ou se alguém diz que você é mau, isso não o muda nem um pouco. Se você tivesse uma rocha amarela e muitas pessoas alegassem que ela é valiosa, isso iria fazê-la valer um centavo a mais? Por outro lado, se você tivesse um pedaço de ouro e todos dissessem que ela é sem valor, isso iria fazê-lo valer menos? As coisas são que são. O que alguém diz para você sobre o seu trabalho, sua família ou suas idéias nada mais é que vento nas cordas vocais.
Quando você entende estes pontos, é mais fácil olhar além do fato de que alguém pode estar tentando prejudicá-lo e você realiza que ele está ferindo a si mesmo com suas ações negativas. Se você responder na raiva, criará karma para si mesmo, e se a situação aumentar, criará ainda mais karma. Se você responder com compaixão, tomando o caminho dos buddhas e bodhisattvas, desejando de seu coração que o agressor seja liberado do sofrimento, você naturalmente purificará o karma que o ata ao samsara.
Ira
Em certas horas torna-se necessário empregar a ira para beneficiar alguém. Um bom exemplo disto é uma mãe que ama e cuida de seu filho, fazendo o que quer que precise fazer para preservar sua vida. Por exemplo, ela pode encontrar a criança brincando na rua. Ela irá pegá-lo e dizer para não voltar, mas se ele o fizer, ela pode bater nele a fim de lhe ensinar uma lição. Ela não age cheia de raiva, mas sim com o desejo de proteger seu filho. Por esta razão, ela pode não criar karma negativo.
É muito difícil julgar a motivação de uma outra pessoa. Apenas você sabe se está realmente agindo por causa da compaixão ou por algum outro motivo. Se você fica com raiva de uma criança porque está cansado de correr atrás dela ou porque ela não o ouve, então sua motivação é suspeita. Mas se você pode honestamente dizer que suas ações são abnegadas e baseadas na compaixão, e não há outro modo de ajudar a criança, então sua ira pode não produzir karma negativo.
É muito difícil julgar a motivação de uma outra pessoa. Apenas você sabe se está realmente agindo por causa da compaixão ou por algum outro motivo. Se você fica com raiva de uma criança porque está cansado de correr atrás dela ou porque ela não o ouve, então sua motivação é suspeita. Mas se você pode honestamente dizer que suas ações são abnegadas e baseadas na compaixão, e não há outro modo de ajudar a criança, então sua ira pode não produzir karma negativo.
Meditação sobre a Raiva
O que fazemos quando a raiva surge, mesmo apesar de termos dado o melhor de nós para cultivar um coração puro e para sermos compassivos? Como lidamos com o fato de que consistentemente reagimos emocionalmente a circunstâncias irritantes, assim minando nossas tentativas de superar a raiva? O único modo de treinarmos nossa mente é nos prepararmos para o fato de que alguém inevitavelmente empurrará nossos botões.
Vá a uma sala privada em sua casa ou nas colinas, e imagine que a pessoa que o incomoda está dando o melhor de si para enfurecê-lo. Pense sobre o quê você faria. Você iria provavelmente querer fazer com ela exatamente o que ela fez com você. Mas que bem isso faria? Como isso ajudaria ambos vocês? Seu adversário está plantando as sementes do karma negativo. Se você seguir o exemplo dela, o quão esperto você é? Se um lunático pula de um penhasco, o quão sábio seria segui-lo?
Quando alguém o prejudica, não há absolutamente qualquer benefício em prejudicá-lo como resposta. Se você vir uma discussão chegando, diga a você mesmo que isso não irá ajudar nem a você nem à outra pessoa, mas sim causará mais negatividade, e então volte para trás. Se você sentir que está certo sobre algo, uma discussão se suceder e alguém sofrer como resultado, o quão certo você pode ter estado? Não importa o quão justificado você possa se sentir, deixe isso ir. Isto requer paciência e antecipação porque nossas reações são muito habituais.
A vida humana é extremamente preciosa. Discutir é um mau uso terrível da oportunidade que temos. Devemos viver nossas vidas sabendo que as pessoas que amamos não estarão sempre conosco. Quando um relacionamento com alguém acaba, é muito tarde para nos arrependermos de nunca termos sido muito bondosos porque desperdiçamos muito tempo discutindo.
Nós sozinhos somos responsáveis pelo que experienciamos. Nossa realidade não é criada por ninguém além de nós mesmos. Quando experienciamos o inferno, isso é uma reflexão direta da raiva em nossa própria mente — assim como um pesadelo terrível não é nada mais que uma projeção da mente. Se não queremos experienciar o inferno, não devemos deixar a raiva envenenar nossa mente.
O karma é infalível. Se plantar sementes de cevada no solo, você não pode esperar que arroz cresça lá. É absurdo esperar que a raiva e a agressão levem à felicidade. A negatividade não pode produzir resultados positivos. Se houver um incêndio no chão de sua cozinha, e em sua confusão tentar apagá-lo empilhando mais lenha nele, você apenas o fará aumentar. Se alguém estiver com raiva de você, respondendo com raiva você mesmo piorará a situação e criará causas para infelicidade futura.
Examinar a raiva deste modo é chamado contemplação. A meditação envolve trazer algo à mente de novo e de novo. Saber apenas de modo apenas superficial que você experiencia a raiva é como saber que há um buraco em suas calças. Se colocar um remendo nelas, você não poderá mais ver o buraco, mas assim que se levantar, o remendará cairá. Se você não integrou completamente, nas profundezas de seu coração, que a raiva tem resultados negativos, então você responderá a partir do seus hábitos assim que alguém irritá-lo.
Meditação também significa permitir que a mente relaxe para que o conhecimento obtido na contemplação torne-se inseparável de você, assim como o chá penetrando na água quente. Se puder descansar nisso, é como se você tivesse costurado o remendo. Ele não cairá na menor perturbação. Seu entendimento torna-se mais do que um conceito; torna-se algo que você experiencia diretamente.
Vá a uma sala privada em sua casa ou nas colinas, e imagine que a pessoa que o incomoda está dando o melhor de si para enfurecê-lo. Pense sobre o quê você faria. Você iria provavelmente querer fazer com ela exatamente o que ela fez com você. Mas que bem isso faria? Como isso ajudaria ambos vocês? Seu adversário está plantando as sementes do karma negativo. Se você seguir o exemplo dela, o quão esperto você é? Se um lunático pula de um penhasco, o quão sábio seria segui-lo?
Quando alguém o prejudica, não há absolutamente qualquer benefício em prejudicá-lo como resposta. Se você vir uma discussão chegando, diga a você mesmo que isso não irá ajudar nem a você nem à outra pessoa, mas sim causará mais negatividade, e então volte para trás. Se você sentir que está certo sobre algo, uma discussão se suceder e alguém sofrer como resultado, o quão certo você pode ter estado? Não importa o quão justificado você possa se sentir, deixe isso ir. Isto requer paciência e antecipação porque nossas reações são muito habituais.
A vida humana é extremamente preciosa. Discutir é um mau uso terrível da oportunidade que temos. Devemos viver nossas vidas sabendo que as pessoas que amamos não estarão sempre conosco. Quando um relacionamento com alguém acaba, é muito tarde para nos arrependermos de nunca termos sido muito bondosos porque desperdiçamos muito tempo discutindo.
Nós sozinhos somos responsáveis pelo que experienciamos. Nossa realidade não é criada por ninguém além de nós mesmos. Quando experienciamos o inferno, isso é uma reflexão direta da raiva em nossa própria mente — assim como um pesadelo terrível não é nada mais que uma projeção da mente. Se não queremos experienciar o inferno, não devemos deixar a raiva envenenar nossa mente.
O karma é infalível. Se plantar sementes de cevada no solo, você não pode esperar que arroz cresça lá. É absurdo esperar que a raiva e a agressão levem à felicidade. A negatividade não pode produzir resultados positivos. Se houver um incêndio no chão de sua cozinha, e em sua confusão tentar apagá-lo empilhando mais lenha nele, você apenas o fará aumentar. Se alguém estiver com raiva de você, respondendo com raiva você mesmo piorará a situação e criará causas para infelicidade futura.
Examinar a raiva deste modo é chamado contemplação. A meditação envolve trazer algo à mente de novo e de novo. Saber apenas de modo apenas superficial que você experiencia a raiva é como saber que há um buraco em suas calças. Se colocar um remendo nelas, você não poderá mais ver o buraco, mas assim que se levantar, o remendará cairá. Se você não integrou completamente, nas profundezas de seu coração, que a raiva tem resultados negativos, então você responderá a partir do seus hábitos assim que alguém irritá-lo.
Meditação também significa permitir que a mente relaxe para que o conhecimento obtido na contemplação torne-se inseparável de você, assim como o chá penetrando na água quente. Se puder descansar nisso, é como se você tivesse costurado o remendo. Ele não cairá na menor perturbação. Seu entendimento torna-se mais do que um conceito; torna-se algo que você experiencia diretamente.
Os Quatro Poderes de Purificação
Mesmo se estivermos conscientes de que nossas ações negativas têm conseqüências inevitáveis, ainda há horas nas quais podemos agir cheios de raiva. A fim de purificar este karma antes que isso aconteça, devemos cultivar um bom coração e aumentar nossas atividades positivas. Assim como a escuridão é dissipada pela luz, quando agimos com um bom coração as conseqüências de nossas ações negativas são naturalmente diminuídas. Entretanto, um método mais específico para purificar karma envolve o que são conhecidos como os quatro poderes.
O primeiro poder é o do princípio de sabedoria, o princípio de perfeição, que você invoca em qualquer forma que você entenda que ele tome, seja ele Deus, Buddha ou qualquer outro ser de sabedoria. Este princípio de amor absoluto, compaixão e poder benevolente serve como uma testemunha para sua prática e para os seus esforços de purificar karma.
Em sua presença, você confessa seus erros e expressa sincero arrependimento pelo mal que causou com suas ações do corpo, fala e mente. Este é o segundo poder. Seu arrependimento deve ser intenso. Suponha que você tenha engolido meia garrafa de veneno para rato, então olha para o rótulo e percebe o que fez. O arrependimento que você sente por suas ações prejudiciais deve ser pelo menos tão forte quanto seria o seu arrependimento por beber veneno.
O terceiro poder é fazer o compromisso de não repetir os mesmos erros novamente. Quando você entende que cada pensamento, palavra e ação tem conseqüências kármicas, este compromisso se aprofunda.
O quarto poder é a concessão das bênçãos do princípio de sabedoria na forma de luz ou néctar, que é absorvida em você, purificando completamente seus erros, delusão e confusão.
Quando você tomar conhecimento de seus erros, realize que você não está sozinho. Todos os seres fazem os mesmos erros e criam karma para si mesmos através dos venenos da mente, através da perpetuação de sua crença no "eu" e "outro", e através do hábito. Então, pratique a purificação não apenas para si mesmo, mas para todos os seres com a aspiração de que eles serão libertados de seu sofrimento.
O primeiro poder é o do princípio de sabedoria, o princípio de perfeição, que você invoca em qualquer forma que você entenda que ele tome, seja ele Deus, Buddha ou qualquer outro ser de sabedoria. Este princípio de amor absoluto, compaixão e poder benevolente serve como uma testemunha para sua prática e para os seus esforços de purificar karma.
Em sua presença, você confessa seus erros e expressa sincero arrependimento pelo mal que causou com suas ações do corpo, fala e mente. Este é o segundo poder. Seu arrependimento deve ser intenso. Suponha que você tenha engolido meia garrafa de veneno para rato, então olha para o rótulo e percebe o que fez. O arrependimento que você sente por suas ações prejudiciais deve ser pelo menos tão forte quanto seria o seu arrependimento por beber veneno.
O terceiro poder é fazer o compromisso de não repetir os mesmos erros novamente. Quando você entende que cada pensamento, palavra e ação tem conseqüências kármicas, este compromisso se aprofunda.
O quarto poder é a concessão das bênçãos do princípio de sabedoria na forma de luz ou néctar, que é absorvida em você, purificando completamente seus erros, delusão e confusão.
Quando você tomar conhecimento de seus erros, realize que você não está sozinho. Todos os seres fazem os mesmos erros e criam karma para si mesmos através dos venenos da mente, através da perpetuação de sua crença no "eu" e "outro", e através do hábito. Então, pratique a purificação não apenas para si mesmo, mas para todos os seres com a aspiração de que eles serão libertados de seu sofrimento.
Iluminação
Podemos pensar que a iluminação é um mito ou metáfora, mas ela é algo que realmente podemos atingir. A iluminação é um processo de revelar completamente o que nunca foi realmente mudado ou perdido, mas apenas não reconhecido — nossa própria natureza verdadeira. Até mesmo os seres iluminados foram uma vez pegos na armadilha do samsara, mas reconhecendo sua situação e escolhendo um caminho de compaixão — que focalizava os outros ao invés de si mesmos —, ele encontraram a liberdade completa.
Cada momento de nossas vidas nos provém com uma oportunidade para purificar não apenas a raiva, mas todos os venenos da mente, e para cultivar compaixão, nos trazendo mais próximos de reconhecermos nossa verdadeira natureza, além do sofrimento. Se nossa motivação para fazer prática espiritual for a de verdadeiramente beneficiar todos os seres, então qualquer ato — até mesmo dar a um pássaro um bocado de comida — será um grande ato. Não apenas acumularemos mérito, mas também criaremos as condições para atingirmos a iluminação — não apenas para nós mesmos, mas para o bem de todos os seres.
Cada momento de nossas vidas nos provém com uma oportunidade para purificar não apenas a raiva, mas todos os venenos da mente, e para cultivar compaixão, nos trazendo mais próximos de reconhecermos nossa verdadeira natureza, além do sofrimento. Se nossa motivação para fazer prática espiritual for a de verdadeiramente beneficiar todos os seres, então qualquer ato — até mesmo dar a um pássaro um bocado de comida — será um grande ato. Não apenas acumularemos mérito, mas também criaremos as condições para atingirmos a iluminação — não apenas para nós mesmos, mas para o bem de todos os seres.
Sofrimento
Se você pensar sobre os seres sencientes na existência cíclica, ou samsara, descobrirá que todos eles querem felicidade. Suas ações são baseadas na idéia de que, se tentarem o bastante, eles serão felizes. Mas todos eles sofrem em vários graus e até mesmo os mais afortunados encontram apenas felicidade momentânea. Eles são pegos na armadilha de sua experiência, sem poder para se libertarem. A razão para isto é que todo o seu foco é auto-centrado. Como suas ações do corpo, fala e mente são baseadas no auto-interesse, eles criam conseqüências kármicas que os atam ao samsara.Devemos ter profunda compaixão por estes seres que, cheios de ignorância, fazem exatamente o oposto do que precisam fazer a fim de obter a verdadeira felicidade. Se nossa motivação for baseada no desejo abnegado de que seu sofrimento termine, então definitivamente teremos a capacidade natural de beneficiá-los. Mas isto é possível apenas se pudermos superar nosso próprio auto-interesse. Se decidirmos o que queremos com base em nosso apego, e o que queremos evitar com base em nossa aversão, então não teremos o poder de genuinamente beneficiar os outros. Este ponto é crucial porque muitas vezes, quando tentamos ajudar uns aos outros, fazemos mais mal do que bem.
De acordo com os ensinamentos de Buddha, precisamos desenvolver uma abordagem semelhante a um espelho quanto à nossa prática espiritual — sobre a qual constantemente olhamos para a nossa própria mente — ao invés de uma abordagem semelhante a uma janela — na qual olhamos para fora, criticando os outros, caindo constantemente na mente ordinária. Tomar a abordagem semelhante a uma janela — sempre olhando para fora e baseando nossas ações sobre a ignorância, apego e aversão — apenas perpetua o sofrimento.
É importante que entendamos como o sofrimento surge. Estamos conscientes, por exemplo, de que muitas pessoas sofrem durante a guerra. Mas é muito difícil que nós entendamos as causas de seu sofrimento. As experiências das pessoas são o resultado do karma que criaram através de suas ações, seja nesta vida em ou em vidas anteriores. As experiências positivas são o resultado direto dos pensamentos e ações positivas, enquanto as experiências negativas resultam dos pensamentos e ações negativas ou prejudiciais.
Reagindo na Raiva
Quando sinceramente desejamos ajudar alguém que está sofrendo, nossa reação inicial é muitas vezes de raiva pelo perpetrador desse sofrimento. Reagimos primeiro à injustiça percebida, com raiva diante de quem quer que pensemos ter causado o problema, e então com compaixão pela vítima. Mas se ficamos com raiva do perpetrador e planejarmos tomar alguma ação contra ele, nossa motivação não é compassiva. Estamos misturando veneno com o remédio. Nossa intenção é ajudar, mas estamos usando meios venenosos baseados na aversão. Um agressor geralmente causa o mal devido à raiva. Se respondermos cheios de nossa própria raiva, então realmente não há diferença. Basicamente, raiva é raiva. Mesmo quando possa parecer justificada, ela ainda é um veneno.Não importa se você foi mordido por um cachorro branco bonitinho ou por um cachorro preto horroroso — você foi mordido do mesmo modo. Você pode pensar que sua raiva é branca e justificada, e que a raiva dos outros é negra e errada, mas ambas o morderão viciosamente. A qualquer hora que você reaja na raiva, você é mordido.
Este livreto foi produzido a partir da transcrição de um ensinamento dado por S.E. Chagdud Tulku Rinpoche e interpretado por Tsering Everest em Mt. Shasta, California, em 20 de abril de 1990. Possam todos os seres se beneficiar!